Controlada pelo grupo cazaque Eurasian Resources Group (ERG), a Bamin é responsável pelos projetos de infraestrutura hoje paralisados, que exigem investimentos estimados em cerca de R$ 15 bilhões para serem destravados.
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De acordo com apuração do repórter André Borges, da Folha de S.Paulo, a Mota-Engil já conduz a fase de due diligence e, segundo fontes que acompanham a negociação, a probabilidade de fechamento é elevada.
A Fiol 1 está com aproximadamente 75% das obras concluídas, mas permanece parada por falta de recursos. O trecho é considerado estratégico por conectar a mina ao litoral baiano, onde está previsto o Porto Sul – empreendimento privado com orçamento superior a R$ 8 bilhões, ainda sem obras iniciadas.
A Vale analisou a aquisição do complexo entre 2024 e 2025, em conjunto com a Cedro Mineração, do empresário Lucas Kallas, mas optou por não avançar, alegando falta de atratividade econômica do minério da região e priorizando aportes no complexo de Carajás (PA).
Com a saída da mineradora brasileira das negociações, abriu-se espaço para o grupo português, que tem hoje a estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC) como maior acionista e potencial financiadora do projeto.
Se confirmada, a operação colocará a Mota-Engil no controle de um corredor logístico desenhado para escoar minério e grãos do interior do país até o litoral, além de posicioná-la como candidata natural ao leilão da Fico-Fiol, previsto para este ano, cujo investimento total pode superar R$ 40 bilhões.
Além do interesse nos ativos da Bahia, a Mota-Engil venceu, em setembro do ano passado, a licitação para construir o túnel Santos-Guarujá, um dos principais projetos de infraestrutura logística de São Paulo, com investimentos estimados em R$ 6,7 bilhões.