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MRV: mesmo com caixa de volta ao azul, projeção para 2024 segue puxando ação

Empresa divulgou vendas recordes em 2023, ação recua forte; especialistas não descartam especulação.

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Volta de geração de caixa para o positivo, vendas recordes, previsão de retorno dos lançamentos com força. Essas foram as notícias do desempenho operacional da MRV (MRVE3), divulgadas na quinta-feira (11) e consideradas positivas por especialistas, mas que ainda assim foram seguidas de uma forte queda nas ações da empresa na bolsa de valores, que continua nesta sexta-feira (12). 

O tombo na quinta foi de mais de 11%. Nesta sexta, a ação caiu mais 6,79%, acumulando no ano até agora uma baixa de 30%. O movimento foi atribuído a expectativas sobre a capacidade da empresa em cumprir as projeções para 2024, embora especialistas também não descartem a possibilidade de especulação no mercado. 

Entre os destaques dos números divulgados, a empresa informou que, embora tenha acumulado em 2023 uma queima de caixa de quase R$ 195 milhões, na reta final do ano os números voltaram para o azul, com o quarto trimestre terminando com uma geração de R$ 137 milhões. Foi a primeira vez em três anos que a empresa teve geração de caixa positiva. 

Para especialistas do Santander, “a MRV reportou números operacionais sólidos, liderados por uma combinação de vendas pré-vendas robustas e melhorias contínuas no consumo de caixa operacional de sua divisão de desenvolvimento imobiliário no Brasil”.

Confiança da construção civil
Construção de prédio em São Paulo REUTERS/Rahel Patrasso

Mas, como ponto negativo, o relatório da casa cita “aumento da margem bruta mais lento do que o esperado ao longo de 2024 e pelas despesas financeiras superiores ao estimado associadas à venda de recebíveis”.

As análises indicam, então, que a queda das ações pode estar associada também a expectativas de números melhores do que a MRV apresentou. Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital, comenta que “o Citi, maior vendedor do papel ontem (quinta-feira), comentou que os números vieram fracos, e abaixo da expectativa do banco”. 

O Itaú BBA, por sua vez, apontou que “tanto as vendas quanto a geração de caixa ficaram em linha com as estimativas”, mas piorou algumas de suas projeções para a empresa. 

“Os números da prévia operacional mostram que a empresa está no caminho certo para melhorar a lucratividade. Tanto as vendas como a geração de caixa ficaram em linha com as nossas estimativas, dando algum suporte às nossas expectativas de níveis de lucro líquido mais normalizados (agora adiados para 2026 em vez de 2025).”

Itaú BBA, em relatório

Embora o relatório tenha citado o “momento operacional positivo da empresa”, a casa reduziu em cerca de 40% sua projeção de lucro para a MRV, para R$ 370 milhões em 2024 e R$ 670 milhões em 2025. 

Os motivos citados foram “um menor volume de vendas na divisão Resia, devido a um ambiente ainda desafiador para habitação nos EUA”, e “maiores despesas financeiras”. 

Vendas recordes x perspectivas

Outro número que se destacou no relatório da MRV foi o das vendas da incorporadora, com alta de 45% sobre 2022. No total, foram R$ 8,5 bilhões em vendas líquidas, um recorde para a empresa. Já em volume de vendas, foram 9,4 mil unidades, um aumento de 31%. 

Enquanto as vendas subiram, os lançamentos caíram, acompanhando o movimento de mercado semelhante ao de outras empresas do segmento, que adotaram a mesma estratégia de ajuste nos estoques diante do cenário da economia. No segmento da MRV, a baixa nos lançamentos foi de 38% no ano, com 20 mil unidades. 

Felipe Pontes, sócio da L4 Capital, diz que o aumento do total e da velocidade das vendas indicam “uma operação robusta”, mas ele volta a chamar aatenção para as “expectativas quanto ao cumprimento das projeções para 2024”.

“Mesmo com um desempenho operacional positivo, preocupações quanto à capacidade da MRV de atingir seu guidance anterior, especialmente diante de margens de lucro mais apertadas e despesas maiores, podem gerar nervosismo no mercado.”

Felipe Pontes, sócio da L4 Capital

E foram justamente esses os pontos citados pelo BTG Pactual em relatório. O banco considerou os “resultados operacionais sólidos no quarto trimestre”, mas citou “preocupações sobre o cumprimento da orientação da MRV para 2024, principalmente à luz de uma margem bruta mais fraca (ainda impactada por projetos mais antigos) e despesas financeiras mais pesadas”. 

Ygor Araujo, analista da Genial Investimentos, aponta que a decepção do mercado incluiu a geração de caixa da MRV, ainda que ela tenha voltado para o azul na reta final do ano.

“A queima de caixa no ano totalizou R$ 195 milhões, muito acima do limite inferior guidance de queima 0 divulgada no MRV Day, representando mais uma frustração (ainda que esperada) de expectativas divulgadas pela companhia”, escreveu em relatório.

Expectativas a partir de agora

De qualquer maneira, mesmo com a reação do mercado aos números, os especialistas do Santander mantiveram a classificação de MRVE3 como “outperform” (ou seja, com expectativa de desempenho superior a outras ações do setor), “dada a melhoria contínua no lado operacional”. 

O Itaú BBA também manteve a classificação como “outperform”, mas, no setor, reiterou preferência por Direcional (DIRR3), Cury (CURY3) e Plano&Plano (PLPL3), “nesta ordem”. 

Já o BTG, que tem recomendação de compra para MRVE3, informou em relatório que pretende “revisar os números em breve, incorporando as perspectivas mais duras” nas previsões sobre a companhia.

Queda exagerada é especulação?

Diversos especialistas avaliam como “exagerada” a reação do mercado aos números da MRV, e há quem aponte possibilidade de especulação do mercado. 

Um deles é Fabrício Gonçalvez é CEO da Box Asset Management, que não vê “nenhum fato relevante que justifique a queda expressiva nas ações”. “Acho uma queda exagerada e desnecessária pelos múltiplos do ativo”, diz ele. 

“Talvez seja mera especulação que a companhia possa revisar o guidance de 2024 para baixo.” 

Fabrício Gonçalvez é CEO da Box Asset Management

Nesse sentido, Pontes, da L4, comenta que, “no Brasil, infelizmente, nunca podemos negligenciar também a possibilidade de alguém estar melhor informado do que nós e saber alguma coisa negativa que ainda não sabemos, além de também sempre existir a possibilidade de ataques especulativos e reputacionais por motivos diversos, como já vimos várias vezes no passado recente do nosso mercado de capitais”. 

Já Mateus Haag, analista da Guide Investimentos, escreveu em relatório que “a companhia deve surfar as melhores condições do Minha Casa Minha Vida e cumprir o seu guidance para 2025, o que não justificaria tamanha queda”.

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