Uma parte do valor entra à vista, e o restante vem em parcelas ao longo do tempo. Na leitura do JP Morgan, esse cronograma alongado não deve pressionar a estrutura de capital: o banco estima que a alavancagem da Multiplan chegue a 1,9 vez ao fim de 2026, ante 2,3 vezes no terceiro trimestre de 2025.
Em outubro, a Multiplan anunciou a sexta expansão do BH Shopping, como resposta à demanda comercial forte e persistente. O shopping encerrou o segundo trimestre com taxa de ocupação de 98,7%, a terceira mais alta do portfólio. A obra vai adicionar 1.962 m² de área bruta locável (ABL), aumento de 4,1% sobre a área do shopping no fim do trimestre, com seis novas lojas satélite e a ampliação de uma loja âncora, num investimento de R$ 30 milhões (100% do projeto). A previsão de abertura é no primeiro semestre de 2026.
A expansão também revela a lógica de eficiência que a companhia vem perseguindo. O projeto será viabilizado pela conversão de uma área de estacionamento coberta, o que permite aproveitar a estrutura existente e reduzir custos de construção. A intervenção inclui um novo corredor integrado ao shopping, para melhorar a circulação e acomodar o novo mix de lojas.
Na precificação, a leitura dos analistas é que a Multiplan conseguiu fazer uma boa venda. O JP Morgan estima que a transação embute um cap rate (que mede a taxa de retorno anual de um ativo imobiliário) de cerca de 7,6%, abaixo do cap rate implícito ao qual a empresa negocia na Bolsa com base no NOI dos últimos 12 meses, o que reforça a qualidade do ativo e do preço obtido. Já o Bradesco BBI calcula uma taxa de capitalização de aproximadamente 7,7%.
Gestão de portfólio
A venda do BH Shopping se soma a outros movimentos recentes. No fim de 2025, a Multiplan anunciou a venda de 20% do ParkShopping São Caetano. Um mês antes, em novembro, fez o movimento inverso ao comprar 7,535% do BarraShopping, por R$ 362,5 milhões, aumentando sua participação no ativo para mais de 70%.
Para o Bradesco BBI, a sequência de vendas de participações minoritárias — que somam R$ 517 milhões nos últimos 12 meses, segundo o banco — reflete uma gestão ativa do portfólio, com foco em reduzir o “controle excessivo” em nível de ativos, apoiar a desalavancagem e buscar geração de valor.