A Natura anunciou nesta segunda-feira (30) um pacote de mudanças que combina novo acordo entre seus blocos de acionistas, renovação do conselho de administração e a assinatura de um compromisso vinculante com a Advent para a compra de uma participação relevante na companhia.

Em fato relevante, a empresa informou que os signatários do atual acordo de acionistas — entre os quais estão os grupos ligados aos fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, além dos blocos Pinotti e Mattos — celebraram um novo acordo para reger sua relação como acionistas da Natura. O contrato terá prazo de dez anos, prorrogável por igual período, e mantém inalteradas as participações acionárias desses grupos.

No mesmo movimento, esses blocos assinaram com o Lotus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, fundo detido por veículos geridos pela Advent, um compromisso vinculante para que o investidor compre, no mercado secundário, uma fatia entre 8% e 10% do capital da companhia em até seis meses, observado um preço-alvo médio de R$ 9,75 por ação.

Pelos parâmetros do acordo, a Advent deverá buscar a compra de ao menos 109,9 milhões e no máximo 137,4 milhões de ações da Natura. Considerando esse preço de referência, a operação pode representar um desembolso entre cerca de R$ 1 bilhão e R$ 1,34 bilhão.

O fato relevante deixa claro que não se trata de uma compra direta de ações dos fundadores ou dos demais integrantes dos blocos. Segundo o documento, não há opção de compra e venda entre o investidor e esses acionistas nem outro arranjo que permita à Advent adquirir diretamente participação detida por eles. A entrada, portanto, será por meio da compra de ações em circulação na bolsa.

Se atingir a participação mínima prevista, a Advent poderá indicar dois membros adicionais para o conselho de administração e participar de alguns comitês de assessoramento. Ao mesmo tempo, a Natura afirmou que o investidor não terá direitos de veto nem obrigação de votar em bloco com os grupos de referência da companhia, exceto em temas ligados à composição da administração e de seus órgãos de assessoramento.

A efetivação desse novo arranjo, porém, ainda depende de alguns passos. Além da compra da participação mínima, será necessária a aprovação, em assembleia, de uma dispensa da obrigação de oferta pública de aquisição prevista no estatuto da companhia para casos de participação relevante. Também precisará ser aprovada uma alteração estatutária para ampliar o número de cadeiras do conselho de administração para até dez membros.

Novo conselho

Além da possível chegada da Advent, a Natura anunciou uma ampla reformulação de governança. Os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos deixarão o conselho de administração após a assembleia geral ordinária e extraordinária de 2026 e migrarão para um novo conselho consultivo, ainda sujeito à aprovação dos acionistas. Segundo a companhia, esse órgão não terá funções executivas nem poder de decisão e deverá atuar na preservação dos valores, da cultura e do legado da empresa.

Fábio Barbosa, que presidiu o conselho durante o processo de simplificação corporativa, também deixará o colegiado e seguirá para esse novo órgão consultivo. A proposta da administração prevê Alessandro Carlucci, ex-CEO da Natura e atual conselheiro, como novo presidente do conselho. João Paulo Ferreira continua como CEO da companhia.

A nova chapa proposta para o conselho inclui a permanência de Duda Kertesz, João Paulo Ferreira e Alessandro Carlucci, além da entrada de Pedro Villares, Guilherme Passos, Luiz Guerra, Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto. Bruno Rocha e Gilberto Mifano deixarão o colegiado, embora Mifano siga como líder do comitê de auditoria e finanças.

A Natura aponta que as mudanças são o encerramento de uma etapa de reorganização da estrutura de capital e simplificação corporativa e o início de um novo ciclo de expansão, com foco no crescimento dos negócios na América Latina, região em que a empresa diz ser líder em beleza e cuidados pessoais.