Além de já ser um dos maiores mercados de viagens de avião no mundo, o país oriental acaba de lançar um plano para aumentar em mais de 60% a quantidade de aeroportos em seu território. O número de pistas vai sair das atuais 164 para 264 até o fim da década.
A maior parte dessa infraestrutura aérea será para deslocamentos regionais, o que vai exigir que as companhias aéreas aumentem suas frotas de aeronaves de menor porte. E esse segmento tem sido dominado pela Embraer.
E tem mais. Serão construídos mais de 200 heliportos em cidades de menor porte. O governo indiano mira, com esse passo, além dos helicópteros, o mercado de novos veículos elétricos de transporte de passageiros, os eVtols, conhecidos pelo apelido de “carros voadores”.
A Embraer busca se tornar uma das protagonistas desse mercado que ainda está nascendo. A subsidiária Eve é uma das maiores promessas entre as companhias que vêm trabalhando na tecnologia. A previsão é que os primeiros “carros voadores” da marca comecem a ser entregues no ano que vem.
Mais de R$ 20 bilhões em aeroportos
O plano de infraestrutura aérea foi anunciado pelo primeiro-ministro Narenda Modi neste sábado (28) durante o lançamento das obras do Aeroporto Internacional de Noida.
A construção vai custar custar US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,2 bilhões) e poderá atender 12 milhões de passageiros por ano. Quando estiver concluído, terá seis pistas ocupará cerca de 28 milhões de metros quadrados, o que equivale a 18 parques do Ibirapuera, em São Paulo.
O novo programa de infraestrutura aérea prevê para os aeroportos regionais e helipontos um orçamento inicial previsto de US$ 3 bilhões, cerca de R$ 15,5 bilhões. O primeiro-ministro ressaltou que os investimentos são necessários para dar suporte ao próprio crescimento do país.
Assim como a China se tornou a segunda maior economia do planeta em 10 anos, saindo da sexta posição em 2001 para a segunda em 2010, a Índia desponta agora como principal motor do crescimento dos emergentes nas próximas décadas.
A Índia mais do que dobrou o número de aeroportos em uma década. Passou de 74 em 2014 para mais de 160 e agora mira os 260. Modi acrescentou que os pedidos de aeronaves das companhias aéreas impulsionarão a demanda por trabalhadores qualificados, criando oportunidades de emprego para os jovens do país.
Índia pode se tornar novo motor dos emergentes
A previsão de várias consultorias e bancos indica que, se a Índia mantiver o ritmo de avanço de 6% ou mais ao ano, já em 2030 teria o terceiro maior PIB do mundo. E poderia até ultrapassar a China na segunda colocação. Mas seria um feito lá para os idos de 2040 a 2045 e, mesmo assim, se mantiver uma expansão acima do país asiático durante o período.
De olho nas oportunidades, a Embraer firmou no início do ano uma parceria com a Mahindra, um dos maiores conglomerados industriais do país. O plano prevê instalar na Índia um centro de manutenção, reparo e revisão do cargueiro militar C-390 Millennium.
Isso se o modelo for escolhido na concorrência do programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana para escolha do novo avião de transporte de carga e pessoal do país.
A fabricante brasileira também assinou um memorando para instalar uma linha de montagem final do jato regional E175 no país, em parceria com a Adani Defence & Aerospace.
Brasileiras se preparam para a década da Índia
Além da Embraer, outras gigantes brasileiras também têm reforçado as parcerias e a presença no mercado da Índia.
A Vale, por exemplo, também firmou uma parceria com a Adani para desenvolver um complexo integrado de minério de ferro no Porto de Gangavaram, na costa leste da Índia. A companhia está de olho no longo prazo justamente pela experiência que teve com a China, que se tornou o principal mercado para os produtos da companhia ao longo das últimas décadas.
A mineradora enxerga na Índia uma oportunidade semelhante. Isso porque o mercado siderúrgico indiano pode dobrar de tamanho na próxima década.
A WEG que já tem uma fábrica de motores na Índia desde 2011, ampliou no ano passado a presença fabril. A companhia adquiriu a fabricante hindu Sanelec Excitation Systems, localizada em Bangalore. Na ocasião, a brasileira citou a intenção de “expansão de sua presença internacional”.