A indústria de semicondutores vai alcançar US$ 1 trilhão em receita neste ano pela primeira vez, impulsionada pela inteligência artificial e pela disseminação de chips para praticamente todas as partes da economia.

As vendas totais do setor somaram US$ 791,7 bilhões em 2025 e a previsão é de um novo salto de 26% em 2026, segundo a Semiconductor Industry Association (SIA). O mercado está chegando ao marco de US$ 1 trilhão muito mais rápido do que se imaginava — algo que, segundo o CEO da SIA, John Neuffer, é um bom sinal para o mundo dos negócios como um todo.

“Quando temos crescimento no nosso setor, isso significa benefícios exponenciais em outros setores”, disse Neuffer em entrevista. “Nossa tecnologia é a base de praticamente toda indústria estratégica crítica. É um sinal fundamental bastante positivo.”

A demanda gigantesca por novos computadores para data centers trouxe uma bonança para a Nvidia, a Micron Technology e outros fabricantes de chips. Isso tem permitido que o setor continue superando estimativas de crescimento. Antes, projetava-se que seriam necessários mais quatro anos para atingir o patamar de US$ 1 trilhão, afirmou Neuffer.

A receita com chips lógicos — frequentemente descritos como o “cérebro” dos dispositivos — saltou 40%, para US$ 301,9 bilhões em 2025. As vendas de semicondutores de memória, que ajudam computadores a armazenar e gerenciar dados, cresceram 35%, para US$ 223,1 bilhões. Por região, Ásia-Pacífico, Américas, Europa e China registraram crescimento, com queda apenas no Japão.

O mercado de chips deve continuar com seus típicos ciclos de expansão e contração, mas a tendência de alta no longo prazo está claramente estabelecida, disse Neuffer. “Gostamos das nossas oscilações, e isso sem dúvida vai continuar”, afirmou. “A questão é que a fatia do bolo está simplesmente ficando maior.”

Huang dividindo o palco com o robô ‘Blue’, da Nvidia, em uma conferência

Na sexta-feira, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, disse que os gastos com data centers e outras infraestruturas de IA são sustentáveis, minimizando preocupações de que seus clientes estejam investindo dinheiro demais na tecnologia.

As tensões comerciais entre Estados Unidos e China lançaram uma sombra sobre o setor, mas a relação entre as duas maiores economias do mundo agora mostra sinais de melhora, disse Neuffer. Washington impôs restrições de exportação cada vez mais duras nos últimos anos, e Pequim respondeu na mesma moeda.

Para que a indústria americana de chips prospere no longo prazo, afirmou Neuffer, é preciso mais apoio do governo à pesquisa e desenvolvimento, além de uma reforma migratória que permita ao país atrair e reter talentos do exterior.