A Nvidia, fabricante dominante de chips para inteligência artificial, investiu mais US$ 2 bilhões na CoreWeave, empresa especializada em computação em nuvem, para ajudar a acelerar os esforços da empresa para adicionar mais de 5 gigawatts de capacidade de computação voltada a IA até 2030.

A Nvidia comprou ações ordinárias Classe A da CoreWeave a US$ 87,20 por papel, informaram as empresas nesta segunda-feira (26). Como parte da colaboração, a CoreWeave estará entre as primeiras a implantar produtos futuros da Nvidia, incluindo sistemas de armazenamento e uma nova unidade central de processamento (CPU). A Nvidia, que já era investidora da CoreWeave, havia concordado anteriormente em comprar mais de US$ 6 bilhões em serviços da empresa até 2032.

“O investimento é uma demonstração de confiança no crescimento, na gestão da CoreWeave e no modelo de negócios da empresa”, disse o CEO da Nvidia, Jensen Huang, em entrevista. Mas, segundo ele, a parceria em si está mais focada em alinhar o trabalho de engenharia das duas companhias e colocar capacidade computacional em operação.

O acordo é apenas o exemplo mais recente de como a Nvidia vem usando seus vastos recursos para impulsionar o setor mais amplo de inteligência artificial. A empresa mais valiosa do mundo já se comprometeu com dezenas de bilhões de dólares em aportes em companhias de IA, financiando a implantação de novas infraestruturas construídas com seus produtos.

As ações da CoreWeave subiam 9% no pré-mercado desta segunda-feira, para US$ 101,32. Os papéis da Nvidia recuavam menos de 1%.

O anúncio também chama atenção para uma nova frente de negócios da Nvidia. A CPU, que leva a marca Vera, marca a primeira vez que a empresa oferece esse tipo de chip de forma independente.

Isso significa que a Nvidia passará a desafiar processadores da Intel Corp. e da Advanced Micro Devices Inc. dentro dos data centers. O produto Vera também pode se tornar uma alternativa a componentes desenvolvidos internamente por provedores de nuvem, como o Graviton, da Amazon.com Inc. Até agora, CPUs da Nvidia só estavam disponíveis como parte de sistemas integrados com outros chips.

“Vera é completamente revolucionária”, disse Huang sobre a CPU. Ele se recusou a citar outros clientes além da CoreWeave, mas afirmou: “Haverá muitos”.

A Nvidia já lidera o mercado de unidades de processamento gráfico (GPUs), os chips potentes usados para desenvolver e executar modelos de IA. Com uma CPU, a empresa passa a mirar uma fatia ainda maior da indústria de computação.

A CoreWeave, que abriu capital no ano passado em uma das maiores ofertas de ações de 2025 e hoje vale cerca de US$ 47 bilhões, é conhecida como uma neocloud — um provedor especializado de computação em nuvem usado por serviços de IA. O investimento da Nvidia reforça a posição financeira da CoreWeave e ajuda a reduzir preocupações sobre o ritmo elevado de gastos da empresa com data centers.

Pelo acordo, a Nvidia auxiliará a CoreWeave na compra de terrenos e energia para data centers. A companhia também irá comercializar o software de IA e os projetos de arquitetura da CoreWeave para parceiros de nuvem e grandes clientes corporativos.

A CoreWeave tem planos ambiciosos. Cinco gigawatts equivalem à produção de cinco grandes usinas nucleares. Um único gigawatt de eletricidade é suficiente para abastecer cerca de 750 mil residências nos EUA em um determinado momento.

Os recursos da Nvidia representam cerca de 2% do total que a CoreWeave planeja investir para colocar a nova infraestrutura em operação, segundo o CEO Mike Intrator.

“Este ano, vamos entregar uma enorme quantidade de infraestrutura, e isso só vai acelerar nos próximos três anos”, afirmou.

Antes do acordo anunciado nesta segunda-feira, a Nvidia era a quarta maior acionista da CoreWeave, segundo dados compilados pela Bloomberg. A gigante de chips sediada em Santa Clara, na Califórnia, detinha cerca de 6% da operadora de data centers.

A Nvidia afirma que seus investimentos têm como objetivo remover barreiras à adoção da IA. No entanto, os aportes bilionários acabaram interligando muitas das maiores empresas do setor, levantando preocupações sobre acordos circulares — situações em que uma empresa investe em outra que também é sua cliente. Além da CoreWeave, a Nvidia já investiu em OpenAI, Anthropic PBC, xAI, de Elon Musk, entre outras.

Em resposta a essas preocupações, Huang afirmou que os investimentos representam apenas uma fração do total que essas empresas precisarão gastar em infraestrutura.

Grandes clientes como Microsoft e Alphabet continuam investindo pesado em novos equipamentos porque isso impulsiona seus negócios principais, disse ele. Já as novas empresas, descritas por Huang como “nativas de IA”, surgiram a partir de uma onda de investimentos de venture capital. Essas companhias, em áreas como programação automatizada, saúde e edição de vídeo, precisam de acesso a recursos próprios de computação.

“Essas são empresas geracionais, os investimentos que fazemos representam confiança nelas”, afirmou Huang. “Mas é uma pequena porcentagem do dinheiro que elas ainda precisarão captar, então a ideia de que isso é circular é — ridícula.”

A CoreWeave vem trabalhando para diversificar sua base de clientes, reduzindo a dependência da Microsoft, que respondeu por dois terços da receita no trimestre mais recente. O esforço inclui acordos com a OpenAI e com a Meta Platforms Inc., dona do Facebook.

A CoreWeave segue operando no prejuízo, com os investimentos em capital superando amplamente a receita. O uso de dívida para financiar a construção de data centers também assustou alguns investidores. Em dezembro, as ações da empresa caíram após o anúncio de planos para levantar US$ 2 bilhões por meio da emissão de dívida conversível em ações.

Esse movimento também alimentou preocupações mais amplas sobre uma possível bolha de IA — algo que Huang e outros executivos do setor minimizam. O CEO da Nvidia argumenta que a nova tecnologia está sendo adotada tão rapidamente que os investimentos já estão se pagando. O único obstáculo, segundo ele, é a escassez de capacidade computacional.

O próprio crescimento da Nvidia mostra poucos sinais de desaceleração. Após projetar cerca de US$ 500 bilhões em receita com chips para data centers até o fim de 2026, a empresa afirmou neste mês que suas previsões se tornaram ainda mais otimistas.

Na entrevista, Huang voltou a afirmar que a demanda total permanece “enorme”.