A Berkshire Hathaway reduziu sua participação na Amazon em mais de 75% no quarto trimestre, ao mesmo tempo em que montou uma posição no jornal americano The New York Times — a última nova aposta de Warren Buffett como CEO.

O conglomerado adquiriu 5,1 milhões de ações da empresa de mídia nos três meses até dezembro, participação avaliada em US$ 351,7 milhões no fim do ano, segundo documento regulatório divulgado na terça-feira.

A Berkshire comprou ações da Amazon pela primeira vez em 2019. Buffett, hoje com 95 anos, disse na época que, apesar de sua histórica aversão a ações de tecnologia, havia sido “um idiota por não ter comprado antes” papéis da gigante do varejo online. Agora, a empresa detém cerca de 2,3 milhões de ações da Amazon.

As ações do New York Times subiram 1,8%, para US$ 75,39, nas negociações iniciais de quarta-feira, às 8h33 em Nova York. A Amazon avançava 1,3%.

A Berkshire também continuou reduzindo suas participações no Bank of America e na Apple no quarto trimestre, para 7,1% e 1,5%, respectivamente. Buffett começou a cortar essas posições em 2024.

Ao mesmo tempo, elevou as fatias na produtora de petróleo Chevron e na seguradora Chubb, para 6,5% e 8,7%, respectivamente.

A Berkshire revelou seu investimento inicial na Chubb em maio de 2024, após ter montado a posição de forma discreta no ano anterior. As ações da Chubb subiram cerca de 11% no quarto trimestre depois que uma publicação especializada informou que a companhia teria feito uma abordagem informal para comprar a American International Group. A empresa negou que qualquer oferta tenha sido feita.

Buffett, que deixou o cargo de CEO em 31 de dezembro, parecia ter retomado a busca por aquisições nos últimos trimestres. Ele fechou um acordo para comprar o negócio petroquímico da Occidental Petroleum por US$ 9,7 bilhões e montou uma participação de US$ 5,6 bilhões na Alphabet, controladora do Google.

Buffett e o jornalismo

O investimento no New York Times também reflete o fascínio histórico de Buffett pelo jornalismo. Em um cenário em que a mídia americana passa por grande retração e transformação, o Times se destaca como um caso raro de sucesso. Sob a liderança da CEO Meredith Kopit Levien, o jornal manteve crescimento, registrando 450 mil novos assinantes digitais no último trimestre, totalizando mais de 12 milhões, e teve lucro líquido de US$ 344 milhões em 2025, um aumento de 17% em relação ao ano anterior.

Buffett já teve outros investimentos icônicos no setor de mídia, como sua participação de mais de 40 anos no Washington Post, que terminou em 2014. Mesmo após vender operações de jornais da Berkshire para a Lee Enterprises em 2020, ele mantém uma estação de TV local, a WPLG, em Miami.