O governo pode tentar atrair mais interesse ao divulgar ao mercado o preço mínimo que estaria disposto a aceitar — um formato incomum para esse tipo de transação, disseram as pessoas, que pediram anonimato ao tratar de informações que não são públicas. O Valor Econômico disse mais cedo, nesta quarta-feira, que autoridades estudavam reabrir o período de apresentação de propostas.
As ofertas da Equatorial Energia e de um grupo de investidores que inclui a Aegea Saneamento e Participações e seus acionistas ficaram cerca de 10% abaixo da cotação das ações da Copasa e aproximadamente 5% abaixo do preço mínimo esperado pelo governo, disse uma das pessoas. A diferença entre as duas propostas era de cerca de 2%, disse.
A Copasa informou em fato relevante divulgado mais cedo nesta quarta-feira que, em razão de “fatores supervenientes”, algumas das condições da venda, incluindo o cronograma, “serão objeto de alteração”. A companhia não deu detalhes sobre as ofertas.
O fundo de infraestrutura Perfin, que não participou da disputa, vem acumulando ações da Copasa no mercado e agora detém uma participação de cerca de 18% na companhia, segundo uma das pessoas. O fundo pretende continuar ampliando sua fatia e busca comprar R$ 1 bilhão em ações da Copasa em uma oferta subsequente à privatização, afirmou a pessoa.
Quando as propostas ficaram abaixo do mínimo, a Copasa passou a considerar uma mudança de estratégia e a venda da participação por meio de uma oferta pública de ações, possibilidade prevista no prospecto da operação, disseram as pessoas. Mas os bancos que assessoram a transação informaram à companhia que uma oferta subsequente de tamanho tão elevado provavelmente teria dificuldade para encontrar demanda suficiente, segundo as pessoas.
A Copasa informou que segue as orientações de sua controladora, o governo de Minas Gerais. A Aegea não quis comentar, enquanto a Equatorial não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
As ações da Copasa chegaram a cair 7,3% nesta quarta-feira, na maior queda intradiária em mais de um ano. Os papéis recuavam 4,4% às 16h11, no segundo pior desempenho do Ibovespa.
O grupo liderado pela Aegea inclui a Itaúsa, o fundo soberano de Singapura GIC e a Equipav Saneamento. A Aegea participa com uma fatia de 1% no consórcio.