A Polymarket está buscando um novo aporte de US$ 400 milhões, segundo pessoas familiarizadas com as negociações, após ter captado US$ 600 milhões com avaliação de US$ 15 bilhões no mês passado.

O novo acordo elevaria o valor da startup de mercado de previsões, que era de US$ 9 bilhões no ano passado, quando a Intercontinental Exchange — controladora da Bolsa de Nova York — adquiriu uma participação de US$ 1 bilhão na Polymarket em um grande investimento. Ainda assim, a empresa agora vale menos do que sua principal concorrente, a Kalshi, que atingiu avaliação de US$ 22 bilhões em uma recente rodada de US$ 1 bilhão.

As plataformas de mercados de previsão têm registrado forte crescimento de volume negociado em contratos financeiros ligados a resultados de eventos como jogos esportivos, eleições e outros acontecimentos.

O investimento mais recente da ICE ocorreu após o grupo anunciar que planejava investir até US$ 2 bilhões na Polymarket. A ICE agora detém cerca de US$ 1,6 bilhão em participação e afirmou no mês passado que já “cumpriu suas obrigações” dentro do plano. Detalhes da captação foram divulgados inicialmente pelo The Information.

A Polymarket avalia se deve levantar os US$ 400 milhões adicionais com novos investidores mantendo a avaliação de US$ 15 bilhões — já incluindo o novo capital — ou esperar para buscar uma avaliação mais alta, segundo uma das fontes, que pediu anonimato.

A Polymarket e a ICE não comentaram.

Reguladores estaduais de jogos afirmam que os mercados de previsão deveriam ser regulados como apostas e tentam derrubá-los na Justiça. Já a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC) defende que essas plataformas estão sob sua supervisão federal e podem operar nacionalmente.

A Polymarket está testando um novo aplicativo nos EUA, mas seu principal negócio ainda é uma plataforma internacional que não está disponível para clientes americanos.

Em março, o volume nominal negociado na Polymarket chegou a US$ 10,6 bilhões — seis vezes mais do que seis meses antes, segundo dados compilados por usuários no Dune Analytics.

Quem comanda a Polymarket

Fundada em 2020 por Shayne Coplan, a Polymarket nasceu da aposta de um jovem empreendedor do Upper West Side de Manhattan que abandonou a Universidade de Nova York para entrar no universo das criptomoedas e dos mercados de previsão. Coplan já havia tentado uma primeira startup no setor antes de criar a Polymarket, levantando cerca de US$ 4 milhões em uma rodada inicial com investidores como Naval Ravikant.

Desde o início, a visão era ambiciosa: transformar previsões em mercados globais onde qualquer pessoa pudesse apostar em eventos reais — de eleições a resultados esportivos — e, assim, “precificar a verdade”. Coplan chegou a afirmar a investidores que a empresa poderia se tornar um negócio de US$ 100 bilhões.

A trajetória, no entanto, foi marcada por forte tensão regulatória. A empresa enfrentou ações da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), foi multada e obrigada a restringir o acesso de usuários nos Estados Unidos, além de operar sob suspeitas constantes de violar regras de apostas e de combate à lavagem de dinheiro. Mesmo assim, cresceu rapidamente com usuários contornando restrições por meio de criptomoedas e VPNs.

Em novembro de 2024, a Polymarket chegou ao auge da pressão regulatória quando o FBI realizou uma busca na residência de Coplan em Nova York, em meio a uma investigação federal sobre possíveis violações de leis financeiras. Meses depois, o caso foi arquivado, marcando uma reviravolta para a empresa.

A ascensão recente da plataforma impulsionada por forte crescimento de volume, entrada de investidores estratégicos e até a aproximação de figuras políticas e do setor financeiro tradicional contrasta com as controvérsias sobre anonimato, possível manipulação de mercados e a dificuldade de distinguir entre informação, aposta e especulação.