“Infelizmente, vimos isso em 2005, 2006 e 2007, quase a mesma coisa — a maré alta estava levantando todos os barcos, todo mundo estava ganhando muito dinheiro”, disse Dimon a investidores na segunda-feira (24). Embora o JPMorgan não esteja disposto a fazer empréstimos mais arriscados para aumentar a receita líquida de juros, ele afirmou: “Vejo algumas pessoas fazendo coisas estúpidas. Estão fazendo coisas estúpidas apenas para gerar NII (margem financeira líquida).”
Dimon, que liderou o maior banco dos Estados Unidos durante a crise financeira de 2008 e adquiriu dois grandes concorrentes que colapsaram, disse esperar que o ciclo de crédito volte a piorar — embora não saiba quando.
O CEO do JP vem alertando há meses sobre a possível deterioração da qualidade do crédito. Quando a empresa de crédito para automóveis Tricolor Holdings e a fornecedora de autopeças First Brands Group implodiram no ano passado, ele disse que ver uma “barata” significava que provavelmente surgiriam mais.
Nas últimas semanas, diversos setores têm enfrentado a “negociação de medo” em inteligência artificial, à medida que os investidores avaliam como a nova tecnologia pode desestabilizar os mercados.
“Sempre há uma surpresa em um ciclo de crédito”, disse Dimon, acrescentando que a surpresa muitas vezes foi qual setor. “Desta vez, pode ser o de software, por causa da IA.”
Embora isso possa levar o JPMorgan a examinar com mais rigor certos empréstimos, Dimon expressou dúvidas de que isso teria um grande impacto nas perdas de crédito.
Crédito privado
O banco de Dimon em grande parte ficou à margem no início do ciclo de crédito privado. Seus próprios comentários ameaçaram a delicada trégua com empresas de crédito privado em rápido crescimento, que tomaram parte dos negócios das mesas de empréstimos alavancados dos bancos, mas que também se tornaram alguns de seus maiores clientes, além de parceiros ocasionais.
A metáfora da barata desencadeou uma troca de farpas sobre se os bancos ou as empresas de crédito privado estão mais bem posicionados para enfrentar uma desaceleração mais ampla.
Ao mesmo tempo, o JPMorgan também tem demonstrado sua força, conquistando negócios de gestores de crédito privado e rivais de Wall Street com pacotes de financiamento substanciais para ganhar cobiçadas operações de dívida, incluindo um cheque de US$ 20 bilhões para apoiar a aquisição da Electronic Arts, o maior compromisso já assumido por um único banco para uma aquisição alavancada.
O setor financeiro, assim como muitos outros, também tem sofrido queda nas ações nas últimas semanas devido a preocupações com a IA. Dimon disse, na segunda-feira, que vê seu banco como um vencedor na corrida da IA. “No final das contas, em 100 áreas, seremos vencedores em 75 e perdedores em 25”, disse Dimon.
Sucessão
A sucessão de Jamie Dimon voltou ao centro das atenções durante a reunião anual com investidores do JPMorgan Chase. Na sessão de perguntas e respostas, chamada pelo banco de “atualização da empresa”, Dimon foi inevitavelmente questionado sobre quando pretende deixar o comando e quem poderá substituí-lo, tema que há anos desperta curiosidade em Wall Street.
No palco, estavam alguns dos nomes mais cotados para a sucessão, como Marianne Lake, chefe da unidade de varejo, e os co-chefes do banco comercial e de investimento, Troy Rohrbaugh e Doug Petno. A presença conjunta reforçou a percepção de que o banco já exibe publicamente seu banco de talentos para uma futura transição.
Dimon, que lidera o JPMorgan há 20 anos e transformou a instituição no maior e mais lucrativo banco dos EUA, afirmou que pretende permanecer “mais alguns anos” como CEO e “talvez mais alguns anos depois disso” como presidente executivo do conselho. Ressaltou, contudo, que a decisão final caberá ao conselho de administração.