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‘Queremos ser maiores que Netflix ou TikTok’, diz fundador da Gympass

Ao Investnews, João Barbosa diz que maior concorrente da empresa é o sofá e que objetivo para próximos 5 anos é superar volume das plataformas de streaming.

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As academias de ginástica são o grande “ganha-pão” da Gympass, plataforma de benefício corporativo que oferece aulas em academias e aplicativos de bem-estar. Entretanto, a necessidade de fechamento dos estabelecimentos durante a pandemia fez com que a empresa, fundada em 2012 por César Carvalho, Vinicius Ferriani e João Barbosa, precisasse se reinventar.

Além de diminuir o quadro de funcionários, foi primordial refinar o foco de atuação. Mas com os negócios voltando aos trilhos, a companhia tem uma meta ousada para os próximos cinco anos.

João Barbosa, CEO da Gympass
João Barbosa, co-fundador da Gympass (Crédito: Divulgação)

Em entrevista ao Investnews, João Barbosa, que além de fundador é vice-presidente de expansão e novos negócios da empresa no Brasil, contou que o principal concorrente do Gympass é o “sofá”, diz que a empresa não precisa fazer IPO para crescer e que o grande objetivo é entregar mais de 1 bilhão de horas de atividades físicas em sua plataforma. “O Gympass seria maior do que Netflix ou Tik Tok. A gente quer ser maior que o streaming”.

Barbosa, que estava na Itália, o epicentro da pandemia, quando o fechamento e as restrições de circulação começaram, contou que sentiu medo do que viria pela frente. Ao mesmo tempo pôde se antecipar a um problema que estava prestes a dominar o mundo.

“Não tinha como saber se daria certo, o ponto era: a gente vai ver a morte ou a gente vai tentar não morrer? Implementamos e executamos várias coisas que a gente sempre quis fazer, mas não tínhamos tempo. Em um período de dois meses, passamos de uma empresa de acesso e academia, para uma empresa 100% digital. Criamos um ecossistema de aplicativo e serviços, com tudo relacionado a bem-estar”.

Sem detalhar números, Barbosa explicou que o faturamento do Gympass dobrou em relação ao período pré-pandemia, mas o quadro de funcionários foi reduzido de 1.800 para 1.400. A plataforma já atua em 11 países.

Confira abaixo a entrevista completa:

IN$ – Vários unicórnios tiveram dificuldades e precisaram reestruturar as operações durante a pandemia. Como foi para vocês e como é crescer nesse cenário?

João Barbosa – A base do Gympass, quando começamos lá em 2012, era um site para vender passes diários de academia e que foi se transformando. Até que, no final de 2019 e começo de 2020, virou uma grande plataforma de acesso a atividade física. Meu produto era o acesso aos nossos parceiros, estúdios e academias em todos os países, mas com a pandemia, em dois meses, tudo foi fechado. E o que a gente faz?

Eu morava na Itália desde 2014. Estou fora do país porque cuidei de toda a parte de expansão internacional do Gympass, também morei no México e na França. E a Itália foi o epicentro da covid, onde tudo começou. Eu vi tudo lá, todo esse movimento, a primeira cidade sendo fechada, eu precisei fugir de lá, literalmente.

Tive que ir de carro para a Suíça e pegar um avião antes da fronteira fechar. Nos possibilitou antecipar quase um mês e meio ou dois o impacto que iria ter no Brasil e nos Estados Unidos. Tivemos uma postura muito corajosa. Dividimos a empresa em duas. Metade em um comitê de guerra, que avaliava como a gente cortava custo, se reestruturava e sobrevivia a isso sem ter o nosso produto principal. A outra parte era um comitê de oportunidade, para entender como ajudar as academias e nossos parceiros a terem receita.  

Tivemos que nos reinventar e isso ajudou o Gympass a implementar e executar várias coisas que a gente sempre quis fazer, mas não tínhamos tempo. Em dois meses, a gente virou de uma empresa de acesso e academia para uma empresa 100% digital. Criamos um ecossistema de aplicativo, serviços e tudo relacionado a bem-estar.

Já tínhamos mais de 100 serviços diferentes dentro do nosso marketplace e depois de dois meses mais de 300. Criamos uma plataforma online de personal trainer, profissionais que entraram para dar aula, para continuar nossa operação e direcionar a receita dos nossos parceiros. A consequência disso é que o Gympass é hoje uma empresa voltada para o bem-estar e não somente para a atividade física.

No final, a pandemia foi o impulsionador para aumentar o guarda-chuva e ter essa visão mais holística e abrangente de bem-estar. Forçosamente obrigou a gente a acelerar e executar em uma velocidade recorde.

Hoje, o contexto sobre saúde mental mudou muito. Todo mundo sabe e reconhece que esse é um desafio, uma responsabilidade das empresas auxiliarem os colaboradores a terem uma melhor qualidade de vida.

No final, tirando tudo de ruim (…) a gente saiu da pandemia muito mais fortalecido e consciente que o nosso propósito já era muito forte, mas que hoje é ainda mais essencial para todo mundo.

IN$ – Quando você viu aquela situação toda na Itália, deu um certo pânico? Ou você não teve medo?

João Barbosa – Fiquei com muito medo. Não tinha como saber se ia dar certo, o ponto era: a gente vai ver a morte ou vai tentar não morrer? A nossa tentativa era fazer de tudo, se for para morrer, é para morrer tentando, essa resiliência foi o nosso principal driver (…)

IN$ – Como a empresa estava antes da pandemia e atualmente em funcionários e faturamento?

João Barbosa – A empresa está hoje com 1.400 funcionários. Chegou a ter entre 1.700 e 1.800 no pré-pandemia. Em termos de faturamento, a gente não compartilha, mas já superamos nossos níveis pre-covid (quase o dobro). A empresa está com um ritmo de crescimento acelerado. E o nosso desafio é: como melhorar e desenvolver tudo o que precisa desenvolver para entregar a melhor experiência para os nossos parceiros.

IN$ – Os EUA devem ser o maior mercado da empresa em três anos. Por que o país é o foco e como querem avançar lá?

João Barbosa – O Gympass começou no Brasil e já temos 10 anos de operação. E nos Estados Unidos é muito novo. A gente está com três, quatro anos de operação lá. Imagine que é como criar um filho. Não adianta esperar que uma criança de cinco anos vai ter uma capacidade cognitiva de uma pessoa de 20 anos, o mercado precisa maturar.

A diferença do nosso modelo para um modelo de e-commerce ou outras startups, é que demandamos tempo de desenvolvimento e amadurecimento de mercado, porque as empresas têm um ciclo de venda longo. À medida que vou negociando com as empresas, vou gerando mais volume para os parceiros.

Demanda tem, mas não é só abrir que vai funcionar, a gente tem um ciclo de vida de três e cinco anos para um país se consolidar. E essa é um pouco da situação dos Estados Unidos, que tem um mercado potencial enorme. Lá, cerca de 15% da população já faz atividade física. Vejo isso como ‘só’ 15%, porque não 30%, 40% ou 50%? Saúde é muito forte nos Estados Unidos e o Gympass trabalha correlacionado com os planos de saúde para redução de sinistralidade, então tem uma sinergia muito grande.

Todos esses indicadores levam a crer que os Estados Unidos potencialmente podem ser o nosso maior mercado.

O Brasil é quase um oceano azul, porque tem menos de 5% da população fazendo atividade física. Europa tem de 10% a 12% e Estados Unidos 15%, significa que só para igualar com outros benchmarkings, o mercado brasileiro pode se multiplicar por 2 ou 3 vezes, o que já é uma evolução absurda, porque não ter 40%, 50% da população fazendo atividade física?

IN$ – Como vocês imaginam a empresa em cinco anos?

João Barbosa – A gente sempre teve metas muitos agressivas e gostamos de tangibilizar algumas coisas que sejam mais factíveis. Lá no começo em 2012, a gente tinha uma meta que queria ter mais academias trabalhando com a gente do que estrelas visíveis no céu. São cerca de 5.500 estrelas visíveis a olho nu. Hoje a gente tem mais de 55 mil parceiros.

Aqui dentro do Gympass, com a consciência de tornar o bem estar universal, queremos estar em todo lugar e ser o benefício corporativo de todas as empresas, mas a grande meta é entregar mais de 1 bilhão de horas de atividade física para nossos parceiros. O que significa isso? 60 bilhões de minutos. O Gympass seria maior que streaming, maior que Netflix ou Tik Tok, de acordo com números do ano passado das próprias empresas.

A nossa visão em cinco anos é como o bem-estar ou atividade física podem ser maiores do que um streaming, nosso competidor principal é o sofá. A gente quer ser maior que o streaming.

Pensando geograficamente, o objetivo do Gympass é consolidar a presença em mercados onde já atuamos. Hoje já operamos em 11 países. Tem muita coisa que pode crescer e ser ampliada.

No próprio Brasil, estamos só na ponta do iceberg. Tem muito o que crescer ainda, queremos focar nossos esforços e fazer a diferença em todos esses países onde já estamos trabalhando.

Ao atingir esse objetivo, podemos pensar em novas geografias. Só nos mercados que já atuamos é possível atingir o objetivo de ser maior do que o streaming.

IN$ – Quem é o principal concorrente de vocês no Brasil?

João Barbosa – É o Total Pass, que é da bandeira da Smartfit. Tem outros pequenos que são mais regionais.

IN$ – Vocês continuam sem planos de IPO?

João Barbosa – O ponto é que o IPO (oferta inicial de ações) não é um objetivo final, é um meio para alavancar nosso crescimento. Hoje estamos bem estruturados, está bem capitalizado, não precisamos fazer um IPO para crescer e entregar o que esperamos.

O IPO é sempre uma possibilidade na mesa para poder avaliar, mas não tem pressão. No nível em que estamos, com os investidores que temos, o próximo passo racional é o IPO, porque não vale a pena fazer várias rodadas privadas de captação por venture capital dada a proporção que o Gympass tomou. As janelas para IPO para 2023 esvaziaram e a grande verdade é que a gente não precisa.  

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