Credores dos títulos globais da Raízen, maior produtora brasileira de etanol e açúcar, formaram um comitê e contrataram o escritório White & Case como assessoria jurídica, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

O grupo, que inclui Pacific Investment Management (Pimco), BlackRock e T. Rowe Price, detém a maior parte dos bonds em dólares da companhia, afirmaram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de informações confidenciais. Representantes da White & Case, Pimco, BlackRock e T. Rowe Price declinaram comentários.

Controlada pela Cosan e Shell, a Raízen enfrenta um cenário adverso com juros elevados, colheitas abaixo do projetado e investimentos agressivos que ainda não entregaram resultados expressivos. O UBS estima que a empresa precisa de uma injeção de capital entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões (US$ 3,8 bilhões), conforme apontado no fim do ano passado.

As discussões para captar esses recursos seguem sem desfecho, pressionando os preços dos títulos da companhia. Semana passada, a Bloomberg reportou que a Raízen e seus assessores avaliam cenários como descontos na dívida em uma possível reestruturação. Na segunda-feira, a empresa informou que estuda opções para reforçar a liquidez e reequilibrar as finanças, em meio a uma queda que levou seus bonds em dólares abaixo de 50 centavos por dólar.

No começo da semana, a Fitch Ratings cortou a nota de crédito da Raízen em oito níveis, para CCC, enquanto a S&P Global Ratings reduziu sete degraus, para CCC+, citando “riscos crescentes de uma reestruturação da dívida que consideraríamos um default (inadimplência)”.