O TikTok e sua controladora chinesa ByteDance concluíram um acordo há muito aguardado para transferir partes de suas operações nos Estados Unidos a investidores americanos, garantindo o futuro do popular aplicativo de vídeos no país e evitando uma proibição nacional.

A empresa de mídia social anunciou oficialmente que estabeleceu uma entidade nos EUA com três investidores gestores: Oracle, a gestora de private equity Silver Lake Management, e a empresa de investimentos sediada em Abu Dhabi, MGX.

O CEO do TikTok, Shou Chew, que continuará administrando o ativo mais valioso da ByteDance globalmente, passa a ocupar um assento no conselho de administração. Adam Presser, que era chefe de operações, confiança e segurança do TikTok, agora comandará a operação americana como CEO.

A venda do TikTok encerra uma longa disputa geopolítica e regulatória que, por meia década, ameaçou fechar o TikTok nos EUA devido a preocupações com a segurança nacional. O Congresso originalmente aprovou a legislação em 2024 para banir o aplicativo, a menos que a ByteDance vendesse o TikTok – citando preocupações de que o governo chinês pudesse abusar dos dados de usuários dos EUA ou usar o aplicativo para promover narrativas preferidas por Pequim. O TikTok afirma que nada disso ocorreu.

O presidente dos EUA, Donald Trump, comemorou a conclusão da saga em uma publicação no Truth Social, em que ele novamente creditou o fenômeno das redes sociais por ajudá-lo a vencer a eleição de 2024. E agradeceu ao seu colega chinês, o presidente Xi Jinping, por ter aprovado o acordo. “Ele poderia ter ido por outro caminho, mas não foi, e é apreciado por sua decisão”, escreveu Trump.

A avaliação do negócio permanece incerta, mas o vice-presidente dos EUA, JD Vance, citou um preço estimado de US$ 14 bilhões. O valor do negócio americano do TikTok — que abrange publicidade, comércio eletrônico e transmissões ao vivo, já foi estimado entre US$ 35 bilhões e US$ 50 bilhões no passado.

Inicialmente, previa-se que um acordo seria fechado até janeiro de 2025 para evitar uma proibição, mas Trump prorrogou o prazo em diversas ocasiões para dar mais tempo ao TikTok.

A resolução, aprovada anos depois que uma possível proibição foi discutida pela primeira vez, é uma vitória para pequenas empresas, grandes marcas e criadores de conteúdo cujos meios de subsistência dependem do TikTok, e para os cerca de 200 milhões de usuários nos EUA que acessam o aplicativo mensalmente em busca de notícias e entretenimento.

Nos termos do arranjo, originalmente anunciado pelo governo Trump em setembro, novos investidores, incluindo Oracle, Silver Lake e MGX, deterão 50% da nova entidade TikTok EUA. Os investidores atuais da ByteDance controlarão 30,1%, e a própria ByteDance, 19,9%, em conformidade com a lei.

A nova entidade será responsável por moderar o conteúdo no TikTok e proteger os dados dos usuários dos EUA. Ela será administrada por um novo conselho de sete membros, com maioria de americanos. A Oracle, parceira de longa data do TikTok em computação em nuvem, atuará como uma espécie de guardiã de segurança, encarregada de garantir que o TikTok cumpra a lei.