A consolidação da venda da empresa que controla a plataforma TikTok nos Estados Unidos, um dos maiores negócios da unicórnio chinesa ByteDance, deve se concretizar nesta quinta-feira (22). A operação ocorre sob forte pressão do governo dos Estados Unidos, iniciada no primeiro mandato de Donald Trump e reforçada em sua segunda campanha à presidência. O governo chinês tratou o negócio como uma forma de manter boas relações comerciais.

Com o acordo, o poder de decisão e o controle de dados passam das mãos chinesas, que ainda terão 20% de participação, para investidores americanos e aliados, como o fundo MGX, da família real dos Emirados Árabes Unidos, e a Oracle, que ficará responsável pelo armazenamento de dados. A transação está estimada em US$ 14 bilhões. O TikTok é a quarta maior plataforma dos EUA, com cerca de 170 milhões de usuários.

De acordo com o memorando interno da ByteDance, a joint venture americana será uma entidade independente, responsável pelo controle da proteção de dados, da moderação de conteúdo e da segurança dos algoritmos. A nova empresa terá um conselho de administração com sete membros, majoritariamente americanos.

Do capital do TikTok nos EUA, 50% será de novos investidores, Oracle, Silver Lake e MGX, com 15% cada. Os 30,1% permanecerão com afiliadas da ByteDance e 19,9% continuarão com a própria ByteDance. A empresa chinesa deve licenciar sua tecnologia de recomendação baseada em inteligência artificial para a nova entidade, que usará os dados americanos protegidos pela Oracle para treinar um novo sistema.

O acordo elimina um tema persistente nas relações entre Pequim e Washington e se alinha a uma lei de segurança nacional aprovada durante o governo Joe Biden, que estabelecia a separação entre TikTok US e ByteDance. A aprovação final da China ainda não foi divulgada.

Entre os pontos estratégicos da operação está a manutenção da experiência do usuário nos EUA, mas com maior controle local sobre algoritmos, moderação e dados de cidadãos americanos. Isso evita riscos de exposição a influências estrangeiras sobre os dados dos usuários e sobre o conteúdo da plataforma.

Expansão internacional e no Brasil

A ByteDance continua operando suas plataformas fora dos EUA de forma independente. No Brasil, a empresa iniciou em janeiro as obras de um novo data center em Caucaia, no Ceará, desenvolvido pela OMNIA, braço do Grupo Pátria. Com capacidade de 200 MW, o empreendimento será o maior da América Latina e terá infraestrutura de energia solar e eólica próprias, com investimento estimado em R$ 200 bilhões.

O novo data center servirá para consolidar a presença do TikTok no Brasil, apoiar operações de comércio eletrônico e transmissões ao vivo, e atender às demandas regulatórias locais de proteção de dados e segurança cibernética.