A Stellantis, proprietária das marcas Jeep e Fiat, revisou sua estratégia em veículos elétricos e registrou um impacto US$ 26,5 bilhões devido a um reset estratégico. A montadora disse que superestimou a demanda por esse tipo de carro e precisou realinhar seu portfólio de produtos. A notícia repercutiu mal entre os investidores e as ações da companhia chegaram a cair até 29% na bolsa de Milão.

O presidente da Stellantis, Antonio Filosa, afirmou que as despesas anunciadas refletem, em grande parte, o custo de superestimar o ritmo da transição energética, o que afastou a empresa das necessidades, possibilidades e desejos reais de muitos compradores de automóveis.

Ele culpou o antecessor Carlos Tavares por concentrar investimentos exclusivamente em veículos elétricos e não ter ajustado a estratégia diante das mudanças do mercado. Segundo Filosa, os encargos também mostram “o impacto de uma execução operacional ruim anterior, cujos efeitos estão sendo progressivamente tratados por nossa nova equipe.”

A Stellantis também é dona das marcas Peugeot, Citröen e Ram, entre outras que não são comercializadas no Brasil. Além disso, ela controla uma montadora chinesa, a Leapmotor – especializada em elétricos e que chegou ao país no ano passado.

Outras montadoras puxaram o freio

A Stellantis não está sozinha nesse movimento de correção estratégica. Nos últimos meses, outras montadoras também ajustaram seus investimentos em veículos elétricos. A Ford contabilizou US$ 19,5 bilhões em despesas ao cancelar e reduzir diversos projetos elétricos, redirecionando investimentos para híbridos e motores a combustão diante da fraca demanda e do corte de incentivos nos EUA.

A General Motors anunciou encargos de cerca de US$ 6 bilhões relacionados à reorganização de ativos e contratos de veículos elétricos, enquanto a Volkswagen e a Porsche registraram impactos combinados de aproximadamente US$ 6 bilhões ao adiar modelos puramente elétricos em favor de híbridos ou motores a combustão em algumas linhas.

No total, montadoras globais já contabilizaram cerca de US$ 55 bilhões em ajustes recentes por reavaliação de estratégias de veículos elétricos, refletindo a lenta adoção do público, alterações regulatórias e a forte concorrência de fabricantes chineses.

Como parte da reformulação, o presidente da Stellantis prometeu investir US$13 bilhões nos EUA, adiou lançamentos de veículos elétricos e trouxe de volta motores V8 para revitalizar a marca de caminhões Ram. Ele também cancelou investimentos, incluindo uma joint venture planejada de hidrogênio, e vem reduzindo preços para recuperar participação de mercado.

A Stellantis anunciou ainda que deixará a joint venture com a fabricante sul-coreana de baterias LG Energy Solution no Canadá, onde havia planejado investir mais de US$ 3,7 bilhões para a primeira fábrica de baterias de veículos elétricos em grande escala.

Filosa apresentará sua nova estratégia aos investidores em 21 de maio, e melhorar as vendas nos EUA é considerado crucial para a recuperação da empresa, com a Jeep planejando lançar diversos veículos novos ou atualizados ainda neste ano.