O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou o bloqueio dos bens do empresário Nelson Tanure, no mesmo montante do pedido relacionado a Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão é de 6 de janeiro e o bloqueio foi realizado em 14 de janeiro.

Segundo informações publicadas pela Folha de S. Paulo, Toffoli cita manifestação da PGR que aponta Tanure como “sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas, razão pela qual o bloqueio do seu patrimônio deve ocorrer”, conforme dados da Polícia Federal.

A medida integra a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de manipulação de mercado e fraudes financeiras. Ao todo, a operação envolveu o sequestro e bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens de pessoas investigadas. Tanure também teve seu celular apreendido e mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços ligados a Daniel Vorcaro e familiares.

O empresário, que ainda não comentou a decisão judicial, divulgou nota no dia 15 de janeiro negando envolvimento societário com o Master: “Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente”.

Da Light à Prio

Tanure é conhecido por comprar empresas em crise e conduzir reestruturações rigorosas, mas seu modelo de negócios enfrenta fragilidade financeira, com dívidas e escrutínio sobre seus laços com o banco liquidado.

Apesar disso, o empresário não deve se afastar da Light, distribuidora de energia que atende 31 municípios do Rio de Janeiro. Embora esteja se desfazendo de sua participação na Prio, considerada a “joia da coroa” de seu portfólio, seus investimentos na Light devem ser preservados. O fundo WNT, ligado a Tanure, é o segundo maior acionista da elétrica, com 18,9% do capital.

A Light conseguiu recentemente destravar a renovação de sua concessão junto ao Ministério de Minas e Energia. A empresa planeja um aumento de capital de até R$ 1,5 bilhão, no qual Tanure participará para preservar sua posição, com expectativa de que a operação ocorra até 90 dias após a publicação do decreto de renovação. Tanure investe na Light desde 2023, quando a elétrica entrou com pedido de recuperação judicial, acumulando cerca de 30% da companhia e liderando negociações com credores e órgãos públicos.

No caso da Prio, Tanure abriu mão de quase toda sua participação, estimada em 20%, para pagar credores, incluindo empréstimos garantidos pelo Credit Suisse e posteriormente pelo UBS, que adquiriu o banco e buscou reduzir sua exposição ao empresário.

Mesmo enfrentando a investigação da Polícia Federal e a instabilidade financeira de parte de seu portfólio, Tanure segue atuando como acionista estratégico no mercado, mantendo presença em empresas de energia, óleo e gás, saúde e varejo.