Segundo informações publicadas pela Folha de S. Paulo, Toffoli cita manifestação da PGR que aponta Tanure como “sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas, razão pela qual o bloqueio do seu patrimônio deve ocorrer”, conforme dados da Polícia Federal.
A medida integra a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de manipulação de mercado e fraudes financeiras. Ao todo, a operação envolveu o sequestro e bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens de pessoas investigadas. Tanure também teve seu celular apreendido e mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços ligados a Daniel Vorcaro e familiares.
O empresário, que ainda não comentou a decisão judicial, divulgou nota no dia 15 de janeiro negando envolvimento societário com o Master: “Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente”.
Da Light à Prio
Tanure é conhecido por comprar empresas em crise e conduzir reestruturações rigorosas, mas seu modelo de negócios enfrenta fragilidade financeira, com dívidas e escrutínio sobre seus laços com o banco liquidado.
Apesar disso, o empresário não deve se afastar da Light, distribuidora de energia que atende 31 municípios do Rio de Janeiro. Embora esteja se desfazendo de sua participação na Prio, considerada a “joia da coroa” de seu portfólio, seus investimentos na Light devem ser preservados. O fundo WNT, ligado a Tanure, é o segundo maior acionista da elétrica, com 18,9% do capital.
A Light conseguiu recentemente destravar a renovação de sua concessão junto ao Ministério de Minas e Energia. A empresa planeja um aumento de capital de até R$ 1,5 bilhão, no qual Tanure participará para preservar sua posição, com expectativa de que a operação ocorra até 90 dias após a publicação do decreto de renovação. Tanure investe na Light desde 2023, quando a elétrica entrou com pedido de recuperação judicial, acumulando cerca de 30% da companhia e liderando negociações com credores e órgãos públicos.
No caso da Prio, Tanure abriu mão de quase toda sua participação, estimada em 20%, para pagar credores, incluindo empréstimos garantidos pelo Credit Suisse e posteriormente pelo UBS, que adquiriu o banco e buscou reduzir sua exposição ao empresário.
Mesmo enfrentando a investigação da Polícia Federal e a instabilidade financeira de parte de seu portfólio, Tanure segue atuando como acionista estratégico no mercado, mantendo presença em empresas de energia, óleo e gás, saúde e varejo.