Segundo a agência Reuters, que ouviu pessoas próximas às conversas, a empresa solicitou duas licenças à autoridade monetária: uma de emissor de moeda eletrônica, que permitiria oferecer contas digitais com saldo, transferências e pagamentos dentro do aplicativo; e outra de sociedade de crédito direto (SCD), modalidade de fintech que opera com capital próprio para conceder empréstimos.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebeu nesta terça-feira (31) uma comitiva de 11 executivos da ByteDance acompanhados de Bruno Balduccini, sócio do Pinheiro Neto Advogados, o maior escritório de direito empresarial do país.
A delegação incluía Liao Baohua, CEO de pagamentos globais, a diretora global de compliance Victoria Edison, a diretora global de negócios de pagamentos Frances Chen, e uma camada inteira de executivos dedicados à América Latina e ao Brasil, com diretores de compliance, estratégia, desenvolvimento de negócios, políticas públicas e jurídico.
Se aprovadas, as licenças dariam ao TikTok a infraestrutura para replicar no Brasil um modelo que ela já opera na China. Em 2021, a ByteDance lançou o Douyin Pay, sistema de pagamentos da versão chinesa do TikTok, após adquirir uma pequena processadora para herdar sua licença.
O serviço sustenta o e-commerce do Douyin, que movimentou cerca de US$ 490 bilhões em transações em 2024. Quando a empresa tentou ir além, expandindo para corretagem, seguros e microcrédito, os reguladores chineses a forçaram a recuar e ela reduziu as operações financeiras ao mínimo necessário para manter o comércio eletrônico funcionando.