West, anunciado na semana passada como headliner, deve se apresentar durante os três dias do evento. A decisão de incluí-lo no line-up gerou críticas de políticos britânicos, incluindo o primeiro-ministro Keir Starmer, que classificou a escolha como “profundamente preocupante”. A retirada das empresas reforça a tensão entre o apelo cultural do rapper e a percepção de responsabilidade social de grandes marcas.
O rapper vem promovendo seu novo álbum, Bully, lançado em 28 de março, enquanto tenta superar anos de polêmicas que prejudicaram sua reputação e seus negócios. Entre as controvérsias, estão elogios a Adolf Hitler, negação do Holocausto e declarações de que a escravidão teria sido uma “escolha”.
Em janeiro, West publicou um anúncio de página inteira no The Wall Street Journal, em formato de carta, pedindo desculpas “àqueles que machuquei” e afirmando estar “profundamente envergonhado” por suas ações, atribuídas ao transtorno bipolar. Ele também afirmou estar buscando equilíbrio por meio de medicação, terapia, exercícios e mudanças no estilo de vida.
Fim da parceria
As controvérsias anteriores afetaram significativamente seu império corporativo. Adidas e Gap encerraram parcerias com West em 2022, eliminando importantes fontes de receita em roupas e calçados de marca. No caso dos tênis Yeezy, a Adidas ficou com mais de US$ 1 bilhão em estoque não vendido. A disputa judicial entre Adidas e West foi resolvida em 2024, sem pagamentos ao rapper.
Apesar dos problemas, West mantém uma base sólida de fãs: são 73,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify e 19,7 milhões de seguidores no Instagram. Seu novo álbum Bully marca uma tentativa de reconstrução de imagem, enquanto ele firma contratos com empresas de música como Gamma, avaliados entre alguns milhões e dezenas de milhões de dólares.
O impacto da retirada das marcas é significativo, pois o patrocínio corporativo é essencial para a viabilidade financeira do festival. A PepsiCo, dona de marcas como Pepsi, Lay’s e Gatorade, informou que decidiu encerrar o patrocínio.
O que dizem as empresas
A Diageo, dona de bebidas como Johnnie Walker, Smirnoff e Guinness, confirmou sua decisão, alegando preocupações com a participação do rapper. Anheuser-Busch InBev, dona da Ambev e de marcas como Budweiser e Stella Artois, também se retirou, seguindo o mesmo caminho das outras empresas.
Representantes de West e do Wireless Festival não responderam aos pedidos de comentário. A situação levanta questões sobre como grandes eventos e artistas polêmicos precisam equilibrar notoriedade, relevância cultural e responsabilidade social em um ambiente global de grande visibilidade, redes sociais e opinião pública crítica.
O caso evidencia os desafios enfrentados por festivais de grande porte: manter a atração do público sem comprometer relacionamentos com patrocinadores, ao mesmo tempo em que navega por questões de imagem e ética.