O valor total de vendas do Grupo alcançou a marca histórica de R$ 13,1 bilhões entre outubro e dezembro. No ano, o total de vendas brutas (GMV) se aproximou de R$ 45 bilhões, avanço de R$ 3,6 bilhões em relação a 2024. O motor foi digital: o e-commerce cresceu quase 22% no trimestre, o quinto consecutivo de alta, com destaque para o canal de vendas próprias, que avançou 25,6%.
Nas lojas físicas, a carteira de crediário chegou a R$ 6,6 bilhões, com crescimento de 6,7% e inadimplência controlada, mesmo em um cenário de juros excepcionalmente altos no Brasil. Vendendo mais e controlando custos, a companhia gerou R$ 1,8 bilhão de fluxo de caixa livre só no quarto trimestre. No ano, foram R$ 2,2 bilhões, mais que o dobro de 2024.
Dois anos que mudaram tudo
A Casas Bahia de 2023 era uma empresa pressionada: endividamento alto, operação digital queimando caixa e consumo em queda por conta dos juros elevados. O Plano de Transformação que se seguiu foi duro e deliberado, com reestruturação financeira, fechamento de lojas, revisão de sortimento e categorias, ajustes de equipe e forte aposta em tecnologia para ganhar eficiência.
A estratégia de back to basics trouxe o foco de volta para rentabilidade, redução de dívidas e para o que a empresa sabe fazer melhor: vender eletrodomésticos, eletrônicos e móveis. “O resultado mostra que o Plano de Transformação estabilizou a empresa e a devolveu ao caminho do crescimento sustentável”, diz Renato Franklin, CEO da Casas Bahia.
O passo decisivo veio na estrutura de capital. Em 2025, duas conversões de dívida em ações (BHIA3) – R$ 1,6 bilhão em agosto e R$ 3 bilhões em dezembro – reduziram drasticamente a alavancagem do Grupo. Só em juros que a empresa não precisará mais pagar, as operações devem gerar uma economia de R$ 2,7 bilhões nos próximos cinco anos. Até 2030, a redução no desembolso de caixa pode superar R$ 7,7 bilhões, considerando juros e principal.
O efeito foi imediato: a dívida líquida caiu 77% no segundo semestre de 2025.
Uma forma simples de medir o peso de uma dívida é comparar quanto ela representa em relação ao resultado operacional da empresa, ou seja, quantos anos de resultado seriam necessários para quitá-la. Em junho de 2025, a Casas Bahia precisava de 2,2 anos. No fim do ano, o número caiu para 0,4, menos de cinco meses.
O que vem pela frente
“Começamos 2026 mais capitalizados, com estrutura financeira leve e maior capacidade de investimento”, afirma Franklin. Para o CEO, o ano traz ventos favoráveis, dada a maior circulação de recursos por conta do calendário eleitoral e da Copa do Mundo. “Entramos nesse novo ciclo com mais confiança para capturar oportunidades, mantendo a disciplina financeira que marcou nossa recuperação.”
O crediário continua sendo um pilar fundamental do negócio, funcionando como um dos principais motores de crescimento da companhia. A operação alcançou um volume recorde de R$ 10,2 bilhões em produção (volume concedido), com um portfólio ativo de R$ 6,6 bilhões, mantendo níveis de inadimplência sob controle.
No campo das soluções financeiras, o Grupo Casas Bahia inicia um novo ciclo de expansão do crédito, apoiado em fontes diversificadas de funding, modelos sofisticados de análise de risco e no uso intensivo de inteligência artificial. Essa evolução também se reflete em uma jornada cada vez mais digital e integrada, conectando lojas físicas, aplicativo, site e WhatsApp.
Além disso, a IA desempenha um papel estratégico em diversas frentes do negócio, como operações, marketing, logística, precificação e abastecimento. Na linha de frente, a Companhia aumentou em 40% a produtividade da força de vendas, com soluções como o assistente Bah.IA, que dão suporte aos vendedores nas lojas físicas e no ambiente digital. Enquanto o Zap Casas Bah.IA oferece atendimento personalizado via WhatsApp, com comparações e recomendações em tempo real aos clientes.
Depois de superar uma de suas maiores crises, o Grupo chega a 2026 renovado e mais forte, marcando o início de um novo ciclo de crescimento. Com bases mais sólidas e visão estratégica, avança para construir resultados consistentes e duradouros no longo prazo.
