Pessoas que trabalham na vanguarda da tecnologia acham que seus filhos devem reverter o curso Crédito: yacobchuk/ Getty image

Os pais têm incentivado seus filhos a seguir carreiras nas áreas de ciência e tecnologia há tanto tempo, que agora alguns desses filhos já cresceram e têm seus próprios filhos. O conselho deles? Carreiras em humanas, artes ou técnicas especializadas podem ser apostas mais seguras para a próxima geração.

Bots que escrevem software e executam tarefas cirúrgicas geram o medo de que o atual excesso de cursos STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática) seja uma bolha, como seus antecessores que inundaram os programas financeiros nos anos 1980. De 2009 a 2022, o número de diplomas de bacharel em ciência da computação quase triplicou, de acordo com o Centro Nacional de Estatísticas da Educação.

Se as pessoas que trabalham na vanguarda da tecnologia acham que seus filhos devem reverter o curso, então todos nós devemos reconsiderar nossa orientação parental.

Dan Dumont recentemente fez o que qualquer diretor de engenharia responsável faria: perguntou a seu assistente de inteligência artificial favorito se seus filhos, de dois e de um ano, deveriam seguir seus passos.

Talvez não, alertou o bot. Ele recomendou promover a criatividade e as habilidades pessoais, sem prescrever trabalhos específicos para as crianças.

O conselho abalou Dumont, de 38 anos, que trabalha em uma startup de software na Grande Boston. Ele se lembrou de seu tempo em uma escola vocacional em Massachusetts há duas décadas, quando se sentiu confiante de que se matricular na faculdade e iniciar uma carreira em tecnologia era mais promissor do que os caminhos mais técnico da maioria dos colegas de classe. Em geral, sua vida profissional reforçou essa crença.

Agora, enquanto ele e sua esposa ponderam uma reforma em casa com seu terceiro filho previsto para meados deste ano, ele suspeita que as chances podem ser diferentes para os pequenos.

“Talvez eles devessem ser empreiteiros ou eletricistas”, diz ele. “Talvez não devêssemos empurrá-los para a tecnologia.”

Proteção prática

Mais pais estão chegando à mesma conclusão, diz David Ferreira, porta-voz da Associação de Administradores Vocacionais de Massachusetts, cujos membros incluem os líderes da alma mater de Dumont e 70 outras escolas. Ele diz que a escola vocacional foi desprezada por muito tempo em um estado conhecido como centro de ciência e tecnologia.

“Era para onde iam os filhos de outras pessoas — crianças que aprendiam com as mãos e que não eram material de faculdade”, diz ele sobre o pensamento de muitos pais do setor de tecnologia.

Não mais. Ferreira diz que um em cada cinco alunos do ensino médio de Massachusetts está em um programa vocacional, cerca de 30% a mais do que há uma década. E os cursos técnicos que costumavam aceitar praticamente todo mundo agora têm centenas de adolescentes em listas de espera. A demanda é tão alta que várias escolas públicas de ensino médio do estado estão revivendo ou expandindo as aulas de oficina, parte de uma tendência nacional.

Os pais que imaginaram seus filhos em empregos de escritório são atraídos para a educação vocacional porque as escolas aumentaram seus padrões acadêmicos e fornecem uma proteção prática contra a IA, de acordo com Ferreira.

“Eles veem um caminho duplo onde seus filhos podem ir para esse tipo de escola e ter opções no final”, diz ele. “Eles se qualificam para ir para a faculdade ou diretamente para o mercado de trabalho.”

Oscilação da tendência

Jeannie Chung lida com a ansiedade constante sobre as perspectivas de carreira das crianças — e ela ainda nem tem filhos.

Chung trabalha no estado de Washington como líder de IA aplicada em uma grande empresa de tecnologia e se tornou conselheira não oficial para muitos pais em seu círculo social que desejam informações do setor.

“Trabalhos que exigem apenas raciocínio lógico estão em risco, para ser franca”, diz ela. “Acho que a tendência está voltando para o lado criativo das coisas.”

Chung, de 32 anos, inicialmente queria se formar em inglês e se tornar escritora de ficção. Seus pais temiam que houvesse pouca oportunidade nessa área, então ela estudou engenharia biomédica e engenharia elétrica da computação.

Havia 30 alunos em sua aula introdutória de ciência da computação na Duke. O mesmo curso tinha mais de 300 alunos quando ela se formou.

Chung desenvolveu um interesse genuíno em tecnologia. Mas também diz que, assim como muitos colegas, “surfou na onda” de carreiras que pareciam lucrativas e seguras, em vez de seguir suas paixões.

Que irônico, dez anos depois, ver a recente onda de demissões no setor de tecnologia. Não que escrever livros seja garantia de estabilidade, mas as rápidas mudanças no mercado de trabalho mostram a loucura potencial de tentar prever quais serão bons empregos para seus filhos. E se algum dia Chung tiver uma filha que queira ser escritora?

“Eu vou aconselhar: ‘Trabalhe seu estilo e sua voz’”, diz ela. “Sua criatividade é seu valor.”

Crédito: Halfpoint Images/ Getty image

Plano de apoio inesperado

O estudo de tecnologia parecia uma garantia para Rajeev Madumba desde que ele veio da Índia para os EUA no início da década de 1990.

“Programação não era minha praia, mas era evidente que essa era a próxima fronteira, então fiz um MBA em sistemas de informação e comércio eletrônico”, diz.

Deu certo para ele. Madumba, de 52 anos, lidera a prática global de saúde na 22nd Century Technologies em McLean, na Virgínia.

Como muitos pais que viram as empresas de tecnologia atingirem valores de mercado de trilhões de dólares, ele incentivou seus dois filhos a aprender Python e outras linguagens de programação de computador quando eram jovens. Imaginava que seria uma habilidade valiosa, mesmo que perseguissem outros interesses.

Agora ele não tem certeza se um trabalho de programação de nível básico é um plano confiável — ou se tal função existirá no futuro.

Hoje, está incentivando os interesses musicais de sua filha adolescente enquanto ela considera estudar biologia. Ele notou que a mulher que dirige o estúdio de dança local parece ganhar um bom dinheiro — e seu trabalho parece relativamente à prova de bots.

“Continuo dizendo à minha filha, se nada mais der certo, você ainda pode ajudar outras pessoas a aprender a cantar e dançar e você vai ficar bem”, diz ele.

Escreva para Callum Borchers em [email protected]

Traduzido do inglês por InvestNews

Presented by