Os futuros nos EUA para entrega ainda neste mês subiam 0,4%, sendo negociados em torno de US$ 58 o barril em Nova York. Os contratos futuros do Brent avançavam em magnitude semelhante, para cerca de US$ 61 o barril.
Os mercados financeiros, em geral, começaram a semana com pouca movimentação. Os futuros das ações americanas subiam levemente — os contratos atrelados ao S&P 500 avançavam 0,35%. Os futuros do ouro subiam cerca de 2,5%, enquanto a prata dava continuidade à sua forte valorização recente, com alta superior a 5%.
O comportamento do mercado de petróleo refletiu a avaliação, entre traders, de que ainda existem obstáculos relevantes antes que o petróleo venezuelano possa chegar com mais facilidade aos mercados globais.
As sanções impostas para pressionar o regime de Maduro têm sido um pilar de sustentação dos preços do petróleo, que vêm sendo deprimidos por um excedente crescente de oferta.
Os preços de referência nos Estados Unidos caíram 20% no ano passado e estão próximos dos níveis mais baixos em quase cinco anos, ameaçando a rentabilidade da indústria petrolífera americana. Ainda assim, produtores de xisto nos EUA continuaram a bombear volumes recordes de petróleo. Ao mesmo tempo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados vêm revertendo cortes de produção.
É improvável que haja um aumento significativo das exportações de petróleo da Venezuela enquanto as sanções não forem flexibilizadas.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse no domingo, em entrevista ao programa “Face the Nation”, da CBS, que o país continuará a aplicar o bloqueio a navios-tanque iniciado no mês passado, como forma de pressionar os novos líderes da Venezuela, em vez de assumir a gestão cotidiana do país, como Trump havia sugerido anteriormente.
“Continuamos com essa quarentena, e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria do petróleo é administrada em benefício do povo, mas também para que o tráfico de drogas seja interrompido”, afirmou Rubio.
Navios-tanque com destino à Venezuela mudaram de rota ou ficaram parados após a incursão realizada antes do amanhecer de sábado.
A Venezuela afirma que suas reservas de petróleo bruto superam 300 bilhões de barris. Se isso for verdade, trata-se da maior reserva do mundo. Ainda assim, as sanções e duas décadas de má gestão, subinvestimento e abandono reduziram a produção de petróleo do país a um volume relativamente pequeno.
Analistas alertam que, mesmo em uma transição de poder ordenada, serão necessários anos e investimentos de grande magnitude para que a produção venezuelana retorne ao pico histórico de cerca de 3 milhões de barris por dia, ante níveis atuais em torno de 900 mil barris diários.
Para efeito de comparação, a produção dos Estados Unidos vem registrando novos recordes, aproximando-se de 14 milhões de barris por dia, segundo a Energy Information Administration (EIA). Apesar da produção doméstica recorde, muitas refinarias americanas — especialmente nas costas do Golfo e Oeste — são projetadas para processar petróleo pesado e ácido do México e da Venezuela, e não o petróleo leve e doce produzido em grande escala pelos frackers.
Em um cenário de transição ordenada, analistas do Jefferies estimam que a Venezuela poderia, em três a cinco anos, produzir cerca de 500 mil barris adicionais por dia por meio de suas atuais joint ventures com empresas globais de energia. Entre elas está a Chevron, a única grande petroleira americana que ainda opera no país.
“Avanços além desse nível podem ser muito mais complexos e caros”, escreveram os analistas em relatório a clientes no domingo. “O potencial de elevar a produção venezuelana depende de capital, o que, por sua vez, está condicionado à estabilidade política e provavelmente exigirá garantias do governo dos EUA.”
Empresas americanas de energia — que, segundo o The Wall Street Journal, não tiveram aviso prévio da incursão dos EUA — agora precisam decidir se atenderão ao apelo de Trump para “entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura gravemente deteriorada, a infraestrutura do petróleo, e começar a gerar dinheiro para o país”.
Além de um ambiente seguro para operar, analistas do RBC afirmam que executivos do setor atualmente atuando na Venezuela estimam que seriam necessários cerca de US$ 10 bilhões por ano para recuperar o setor energético.
“Isso impõe um peso significativo às empresas petrolíferas americanas e pode forçá-las a desempenhar um papel quase governamental no fortalecimento de capacidades e no desenvolvimento do país”, disseram.
Escreva para Ryan Dezember em ryan.dezember@wsj.com
Traduzido do inglês por InvestNews