A Aura Minerals anunciou nesta quinta-feira (2) um programa de incentivo para a conversão de Brazilian Depositary Receipts (BDR, recibos de ações negociados no Brasil) da empresa em ações ordinárias listadas na Nasdaq sem pagamento de taxas. A empresa, controlada por brasileiros, abriu seu capital na Nasdaq em julho, com o objetivo de atrair mais investidores e ampliar a liquidez dos papeis.

Conforme comunicado ao mercado, a conversão será realizada numa proporção de três BDRs para cada ação ordinária. A ação nos EUA fechou o pregão de quarta-feira a US$ 37. O BDR na B3 fechou a R$ 65,80.

O programa terá prazo de 32 dias e a empresa assumirá o custo das taxas de conversão cobradas pelo Banco Bradesco em nome dos acionistas.

“Este programa integra a estratégia da Aura de consolidar e aumentar a negociação de suas ações na Nasdaq e não deve impactar no desempenho financeiro da companhia”, afirmou.

Migrar dos BDRs para o papel nos EUA exige algumas iniciativas por parte do investidor. A principal é ter uma conta em corretora internacional. Essa parte ficou muito mais fácil recentemente, porque muitos bancos digitais oferecem contas globais atreladas a contas de investimentos em dólar ou outras moedas – vale pesquisar a instituição que melhor atende o seu propósito.

Na conversão, o investidor vai ter de pagar os custos relacionados à operação cambial, ou seja, a conversão de reais em dólares. Há a cobrança de um IOF diferenciado de 0,38% na conversão dos valores para fins de investimento. As corretoras cobram ainda um “spread”, ou seja, um acréscimo na taxa de conversão, como forma de remuneração pelo serviço.

Para o investidor, a conversão pode ser vantajosa em termos de custos fixos. Os BDRs têm cobranças de taxa de custódia que não existem sobre as ações nos EUA. A taxa de custódia remunera o serviço de guarda e gerenciamentos desses ativos pela instituição e varia conforme a casa e o volume aplicado.

Uma outra vantagem para o investidor em ter ações na Nasdaq é ter acesso a um mercado muito mais líquido do que os dos BDRs no Brasil, além de ter a exposição direta em dólares, avalia Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

A tributação sobre o ganho de capital é semelhante nos EUA e no Brasil. Ambos os países cobram 15% de alíquota sobre o lucro obtido na negociação dos papéis. Por outro lado, no mercado americano, os dividendos distribuídos pelas empresa sofrem uma taxação de 30% cobrada na fonte.

Aura na Nasdaq

Em meados de julho, a Aura Minerals abriu capital na Nasdaq, em Nova York, com o ticker AUGO, conforme mostrou reportagem do InvestNews.

O IPO, então, captou US$ 200 milhões, que foram direto para o caixa da Aura. A empresa começava ali o começo da migração do principal de sua listagem: da Bolsa de Toronto para o mercado americano. Ali, a liquidez dos papéis promete ser maior, bem como o poder de atração de novos investidores.

A empresa é controlada pela Northwestern Enterprise, de acionistas brasileiros, desde 2016, a Aura também tem BDRs emitidas na B3. Ir para a Nasdaq foi estratégico. “Não tínhamos volume para atrair os grandes fundos estrangeiros. Aumentar a liquidez, então, era algo que planejávamos há alguns anos”, diz Rodrigo Barbosa, CEO da Aura, em entrevista ao InvestNews

Mas Barbosa acredita que o crescimento da companhia virá de projetos internos e novas aquisições. “Vamos continuar olhando M&A. Isso ainda faz parte da nossa estratégia de continuar crescendo, e estamos sempre monitorando alternativas”, disse ele.