Os investidores de renda fixa, traumatizados com o caso do Banco Master, entraram em modo “Black Friday” em relação aos títulos do Banco de Brasília (BRB). É o que indicam as taxas dos papeis do banco negociados no mercado secundário, em que os títulos são comprados e vendidos entre investidores, sem a participação do emissor original.

Dezenas de ofertas de letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA) emitidas pelo BRB têm sido oferecidas em plataformas de corretoras para a venda com retornos entre 105% a até 117% do CDI. Como se trata de um papel isento de imposto de renda sobre o rendimento, essa taxa equivale a um ganho bruto de 130% do CDI a 151% do CDI se fossem papéis que têm a cobrança de IR.

As taxas no mercado secundário podem ser vistas como um termômetro do risco percebido pelos investidores. Isso porque os retornos oferecidos, na verdade, representam descontos sobre o preço que foi pago originalmente pelo papel.

No caso das LCIs do BRB, o fato de os donos desses títulos oferecem um desconto generoso para conseguir repassar o ativo para terceiros antes do vencimento mostra pressa em tirar as aplicações do portfólio.

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A Fitch rebaixou os ratings de crédito do BRB no dia 26 de novembro e colocou as notas em observação negativa. A agência de classificação de risco alertou que “as questões de governança e as investigações sobre carteiras de crédito supostamente fraudulentas adquiridas do Banco Master aumentaram substancialmente o risco de falha do BRB e revelaram graves deficiências nas práticas de supervisão e gestão de riscos”.