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Os países da União Europeia apoiaram um acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para que a UE assine seu maior acordo de livre comércio na próxima semana.

Embaixadores da UE apoiaram o acordo em uma reunião em Bruxelas na sexta-feira (9), apesar da oposição da França e de vários outros países, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato. A aprovação exigia apenas uma maioria qualificada dos Estados-membros.

A decisão significa que a presidente da Comissão Europeia Úrsula von der Leyen provavelmente assine o acordo no Paraguai em 12 de janeiro.

O acordo, que também inclui Brasil, Uruguai e Argentina, concluirá 25 anos de negociações para eliminar tarifas e impulsionar as exportações, criando um mercado integrado de 780 milhões de consumidores. O acordo, no entanto, tem se mostrado bastante controverso, principalmente entre os agricultores europeus, que temem uma entrada maciça de importações agrícolas na UE.

Na véspera da decisão, agricultores protestaram no centro de Paris, enquanto manifestações ocorreram na Polônia na sexta-feira. A Irlanda estava entre os países que votaram contra o acordo.

Os líderes da UE esperavam aprovar o pacto durante sua cúpula no mês passado, mas a oposição de última hora da Itália, que se tornou o voto decisivo, frustrou o acordo.

No fim, porém, Roma apoiou a proposta na reunião de sexta-feira, em parte devido ao dinheiro extra oferecido pela Comissão no início desta semana aos agricultores no próximo orçamento de longo prazo da UE.

As medidas de salvaguarda oferecidas aos agricultores também ajudaram a influenciar a Itália. Entre elas, o compromisso de abrir uma investigação sobre a possível suspensão das tarifas preferenciais caso haja um aumento no volume de importações da América do Sul ou uma queda nos preços em comparação com a média dos últimos três anos.

O limite a partir do qual esta investigação seria iniciada foi fixado em 5%, abaixo da proposta mais recente de 8%, após pressão de países como Itália e França, bem como do Parlamento Europeu.

A França, que tem consistentemente se oposto ao acordo comercial, alegando que prejudicaria os agricultores e consumidores europeus, votou contra o acordo.

“A França é favorável ao comércio internacional, mas o acordo UE-Mercosul é um acordo de outra época, negociado por muito tempo com base em princípios já ultrapassados”, afirmou o presidente francês Emmanuel Macron em uma publicação no X na quinta-feira. “Não se justifica expor setores agrícolas sensíveis e essenciais a riscos para a nossa soberania alimentar”, escreveu Macron.

Mais de duas décadas

O pacto comercial UE-Mercosul, que também precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu, é o maior já negociado por Bruxelas. Por mais de duas décadas, as negociações foram interrompidas e retomadas repetidamente, enquanto as autoridades tentavam apaziguar as preocupações relativas à proteção ambiental e aos padrões agrícolas do Mercosul. No entanto, países como Alemanha e Espanha são fortemente favoráveis ao acordo, que abrirá novas oportunidades de exportação.

A Bloomberg Economics estima que o acordo impulsionaria a economia do Mercosul em até 0,7% e a da Europa em 0,1%. No plano geopolítico, também fortaleceria a presença da UE em uma região onde a China se consolidou como um importante fornecedor industrial e comprador de commodities.