Segundo pessoas com conhecimento do assunto, as duas tradings obtiveram licenças preliminares do Tesouro dos EUA para vender esses volumes. Ambas já teriam comunicado grandes companhias americanas de combustíveis sobre uma oferta iminente.
Segundo uma das fontes, Trafigura e Vitol estão em contato com refinarias americanas para identificar potenciais compradores e volumes de interesse. A expectativa é que as vendas comecem já na segunda-feira (12).
As propostas para entrega imediata ainda não são definitivas porque detalhes jurídicos seguem em negociação, segundo uma das fontes. Representantes das empresas eram esperados para participar de uma reunião com Trump e altos funcionários do governo na Casa Branca na sexta-feira (9).
Em nota divulgada no fim da sexta-feira, a Trafigura afirmou que ela e a Vitol estão prestando serviços logísticos e comerciais para viabilizar a venda de petróleo venezuelano “a pedido do governo dos Estados Unidos”.
“A Trafigura opera em total conformidade com as sanções aplicáveis e possui todas as licenças necessárias para realizar essas transações”, disse a empresa. A Vitol preferiu não comentar. O Tesouro dos EUA não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
Operadores disputam acesso ao petróleo venezuelano depois que os EUA se comprometeram a assumir o controle das vendas de petróleo do país após a deposição do presidente Nicolás Maduro. Um aumento da oferta venezuelana pode representar uma das mudanças mais relevantes nos mercados globais de energia em anos.
Apesar de deter as maiores reservas de petróleo do mundo, a produção da Venezuela despencou nas últimas décadas em razão de subinvestimento crônico, sanções comerciais e isolamento econômico.
Oportunidade
Pelos termos das licenças especiais, a atuação da Trafigura e da Vitol está restrita ao primeiro lote de 30 milhões a 50 milhões de barris anunciado por Trump.
Ainda assim, trata-se de uma oportunidade relevante para as casas de trading, especialmente em um momento em que alguns concorrentes enfrentam dificuldade para gerar resultados em um mercado altamente sensível a manchetes.
No ano passado, a Vitol — maior trader independente de petróleo do mundo — movimentou cerca de 7,2 milhões de barris por dia, enquanto a Trafigura comercializou aproximadamente 6,6 milhões de barris por dia.
As duas empresas têm longa trajetória de atuação na Venezuela. Nos últimos anos, a Vitol operou sob licenças do Tesouro americano para retirar petróleo do país. No início desta semana, o chefe global de petróleo da Trafigura, Ben Luckock, afirmou que a empresa estava em diálogo com o governo dos EUA para retomar negócios com a Venezuela.
De acordo com um documento divulgado pela Casa Branca na quarta-feira, os recursos obtidos com as vendas de petróleo deverão ser depositados em contas bancárias sob controle dos EUA, em benefício tanto da Venezuela quanto dos Estados Unidos. O governo americano também está afrouxando algumas sanções para viabilizar a execução do plano.
A Reuters informou na quinta-feira que a Vitol havia recebido uma licença preliminar do Tesouro para iniciar negociações envolvendo importação e exportação de petróleo venezuelano.
