Na terça-feira (27), a divisa dos EUA já havia fechado no patamar de R$ 5,20, no menor valor em mais de um ano e meio.
E se a comparação for com o último pico da cotação do dólar de R$ 6,26 em dezembro de 2024, a valorização do real já alcança mais de 17%.
Só neste ano, os investidores estrangeiros já colocaram R$ 17,7 bilhões nas ações brasileiras. Ou seja, um fluxo de cerca de US$ 3,4 bilhões em menos de um mês.
No ano passado, o chamado investidor não residente negociou R$ 2,8 trilhões em ações no mercado brasileiro à vista, segundo dados da plataforma Datawise+, da B3 e Neoway. Esse volume de fora representou 62% do movimento total das ações brasileiras.
Nesta quarta-feira, os mercados estão no modo espera antes das decisões sobre juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Banco Central brasileiro. Como a expectativa predominante é a de manutenção dos juros tanto aqui quanto lá fora, o chamado diferencial de juros, ou seja, a distância entre as taxas brasileira e americana, vai continuar no mesmo patamar.
O diferencial alcança atualmente cerca de 11,25 pontos percentuais a mais para a taxa brasileira. É uma diferença que atrai investidores em busca de maiores ganhos, principalmente, em um momento no qual o capital internacional tem buscado reduzir a exposição ao mercado americano.
Além disso, a tendência de enfraquecimento global do dólar também serve como fator de impulso para essa diversificação em outras moedas e geografias.
Os estrangeiros que montaram posições na bolsa brasileira, por exemplo, acumulam um ganho de mais de 13% em janeiro apenas com a variação do Ibovespa. Mas com a queda do dólar no ano, o retorno sobe para 19%. Isso porque a moeda americana registra um recuo frente ao real de cerca de 6% em 2026.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, chama a atenção ainda para outro fator extra de atração de capital para o país: a valorização das commodities. “Especialmente no caso do minério de ferro e do petróleo, essa valorização favorece o fluxo estrangeiro e sustenta o real.”
Novo recorde na bolsa
O Ibovespa segue na sua sequência de recordes alimentado pelo capital de fora. O principal índice da bolsa brasileira superou os 184 mil pontos na manhã desta quarta-feira. Na máxima do dia, alcançou 184.575 pontos. Às 11h, o referencial tinha alta de 1,34% aos 184.348 pontos.
Ontem o índice subiu 1,79%, e fechou a sessão em 181.919 pontos.
Ações ligadas a commodities apresentam forte alta. Os papéis da Vale (ON), da Petrobras (PN) e da Usinminas (PNA) sobem, respectivamente 0,98%, 2,52% e 5,96%.
As “junior oils” também avançam com força. Prio ON sobe 2,92%; a ON da Petrorecôncavo tem alta de 2,77%; e a Brava On avança 2,19%.
Entre as principais ações do Ibovespa, a ON do Banco do Brasil apresenta alta de 2,43%.