Mas esse esses são recordes nominais. Ou seja, apenas um número. A máxima real do Ibovespa é outra. Ela aconteceu em 20 de maio de 2008, o Ibovespa atingiu 73.517 pontos. Sim, um número bem menor que o de hoje. Mas não em termos reais, que contabilizam a inflação.
Para saber o valor presente de pontuações antigas do Ibovespa você corrige pelo IPCA. Simples assim. Os 73 mil pontos de 18 anos atrás significam, então, 195,2 mil pontos de hoje. Essa é máxima histórica real do índice.
Mas ela pode ficar para trás logo. A partir do patamar atual de fechamento (os 181.919 pontos), a bolsa precisa de mais 7,3% de alta, apenas, para chegar ao recorde real.
O responsável – e principal beneficiado – aí são os investidores estrangeiros. Desde o começo do ano, eles já colocaram R$ 16 bilhões nas ações brasileiras.
Para nós, é um dinheiro colossal. Para os grandes aplicadores globais, é uma fração. Esses R$ 16 bilhões, a um câmbio de hoje, equivale a US$ 3 bilhões.
No mercado de câmbio, essa procura dos estrangeiros por outros lugares para investir também explica o movimento da moeda brasileira. Hoje, o dólar encerrou a sessão em R$ 5,20, baixa de 1,4%, menor nível em dois anos. Desde o começo do ano, a queda é de 5,4%.
A participação dos estrangeiros nos negócios na B3 é de 59% hoje. A das pessoas físicas, 11,2%. A concentração mostra o quanto o dinheiro “gringo” só ganhou espaço nos últimos anos: em 2020, ano da pandemia, quando os juros chegaram a 2% ao ano, o investidor de varejo representava 21,4% da bolsa, enquanto os estrangeiros eram 46,6%.
A busca por diversificação fora dos EUA vem motivando uma disparada não só da bolsa local, como de outros mercados emergentes, caso da Colômbia, México, Peru e Chile. É um movimento que está ganhando mais força diante dos sinais de que o mercado americano tem menos espaço, agora, para entregar os mesmos ganhos vistosos dos últimos anos.
Entre 2023 e 2025, o S&P 500 acumulou alta de 78%, impulsionado em grande parte pelas “Sete Magníficas” – Nvidia, Apple, Meta, Alphabet, Amazon, Microsoft e Tesla.
Não é como se os estrangeiros estivessem simplesmente “desembarcando” desses investimentos, mas um pequeno ajuste das carteiras para embolsar os lucros e ir atrás de outras alternativas ao redor do mundo basta para impulsionar esses mercados bem menores – e o Brasil, o mais líquido em relação a vários latino-americanos, é destino certo de boa parte desse dinheiro.
Os investidores aguardam agora a primeira decisão de política monetária no Brasil do ano, que acontece amanhã. A expectativa é que o Banco Central mantenha a taxa de juros estável, embora seja crescente a leitura de que há espaço para um corte da Selic em breve, ainda no primeiro semestre.
É justamente isso que reforça a atratividade da bolsa para o investidor local, ainda tímido na hora de investir em ativos de maior risco em um país com uma renda fixa pagando dois dígitos.
Os dados mais recentes de inflação apontam para esse caminho. O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, uma desaceleração frente aos 0,25% de dezembro – o que endossa a perspectiva cada vez mais consolidada no mercado de que a inflação está comportada o suficiente para levar a Selic a 12,25% até o fim do ano.