A queda parece não ter fim. O bitcoin (BTC) ampliou as perdas e caiu para a faixa dos US$ 69 mil, o pior preço desde outubro de 2024. As altcoins seguiram o movimento e também operam em forte baixa nesta quinta-feira (5).

Nas últimas 24 horas, o mercado cripto perdeu US$ 200 bilhões em valor de mercado, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

O recuo veio em meio a uma correção mais ampla no setor de tecnologia. Investidores voltaram a se preocupar com os gastos elevados das big techs, especialmente em inteligência artificial (IA). Ontem, as ações passaram por uma liquidação pesada. Vale lembrar que o mercado cripto tem forte correlação com esse segmento.

Também pesam no humor do mercado as novas tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos e declarações do secretário do Tesouro americano indicando limites institucionais para compras de bitcoin – fatores que deixam o investidor mais cauteloso.

“Esse conjunto de elementos elevou o nível de incerteza e pressionou os ativos de risco”, disse Marco Aurélio Camargo, CIO da Vault Capital.

As saídas dos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos EUA também ajudam a puxar o preço para baixo. Só na quarta-feira (4), os fundos registraram US$ 544 milhões em resgates. Quando há retiradas relevantes, os gestores precisam desmontar posições em bitcoin, gerando pressão de venda.

Morte do bitcoin

Com a queda recente, o BTC já está cerca de 45% abaixo da máxima histórica, de US$ 126 mil, registrada em outubro do ano passado. Em momentos assim, analistas voltam a decretar a “morte” da criptomoeda.

Segundo a plataforma Bitcoin Deaths, só neste ano foram sete declarações de óbito. Desde a criação da moeda, no fim de 2008, o bitcoin já foi dado como morto 461 vezes.

Richard Farr, estrategista-chefe de mercados e sócio da Pivotus Partners, chegou a escrever nas redes sociais que o preço-alvo do BTC seria zero.

“É para onde a matemática nos leva. Ele não tem funcionado como proteção contra o dólar, mas sim como um instrumento especulativo correlacionado à Nasdaq”, disse.

Vale lembrar, porém, que o bitcoin já enfrentou quedas de até 80% em ciclos anteriores desde suas máximas. Para os apoiadores da criptomoeda, o movimento atual seria mais um capítulo de volatilidade recorrente – não um atestado definitivo de fim.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h40.

Bitcoin (BTC):  -7,53%, US$ 69.951,09

Ethereum (ETH): -8,30%, US$ 2.071,55

XRP (XRP): -14,12%, US$ 1,36

BNB (BNB): -8,86%, US$ 682,41

Solana (SOL): -5,64%, US$ 90,50

Outros destaques do mercado cripto

Ouro digital com sotaque brasileiro. No meio de tanta turbulência global, o ouro disparou nos últimos meses. Mas não foi só ele. As stablecoins ligadas ao metal também pegaram carona na alta. O volume transacionado desses tokens chegou a R$ 50 milhões ao longo de 2025 no Mercado Bitcoin, um salto de cerca de 300% em relação a 2024, segundo dados divulgados pela plataforma cripto. O número de investidores nesses ativos digitais também cresceu – avanço de 20% no período.

Token de Trump em apuros. A World Liberty Financial (WLFI), projeto cripto ligado a Donald Trump, entrou no radar de uma comissão da Câmara dos EUA. O estopim foi uma reportagem do Wall Street Journal dizendo que um fundo conectado a Abu Dhabi teria acertado a compra de 49% da empresa por US$ 500 milhões pouco antes da posse presidencial de 2025. Parlamentares agora querem entender se houve conflito de interesses e a presença de capital estrangeiro sensível no negócio.

CME quer cripto para chamar de sua. O CME Group, maior mercado de derivativos do planeta, quer molhar os dois pés no mundo cripto. O CEO do grupo, Terry Duffy, revelou em conferência de resultados que a empresa está explorando a criação de uma cripto – possivelmente uma stablecoin. Já tem até nome provisório: “CME Coin”. A ideia seria usar o token para integrar a blockchain à sua infraestrutura de compensação e liquidação. A empresa, vale notar, vem trabalhando também em uma solução de “dinheiro tokenizado” com o gigante das buscas Google.

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