O mercado ainda atravessa um período de vendas fortes, liquidações técnicas e cautela global. Dólar mais forte e incertezas sobre os juros nos Estados Unidos também tendem a aumentar a aversão ao risco, respingando nas criptomoedas.
“Ainda é cedo para afirmar que o mercado encontrou um fundo definitivo, e novas oscilações podem acontecer”, disse Ricardo Dantas, CEO da Foxbit.
Ao longo da semana, serão divulgados dados importantes da economia americana, como mercado de trabalho e inflação. Esses indicadores são acompanhados de perto pelo Federal Reserve (Fed, o banco central do país) e ajudam a guiar as decisões sobre juros.
A leitura de analistas é que o noticiário macro deve seguir trazendo volatilidade para o mercado cripto.
A tese do bitcoin segue em pé?
A queda recente reacendeu discussões sobre confiança no setor. Economistas e gestoras fora do universo cripto voltaram a questionar o papel do bitcoin e as incertezas sobre o futuro do mercado.
“Chamar o bitcoin ou qualquer outro veículo criptográfico de ‘moeda’ sempre foi uma farsa. Não é uma unidade de conta, um meio de pagamento escalável nem uma reserva estável de valor”, escreveu o economista Nouriel Roubini, um famoso crítico do BTC.
Já entre os players do setor, a visão é de que o movimento recente faz parte de um ajuste natural. O bitcoin, dizem, segue em ciclos de alta e baixa. A tese de longo prazo – ou seja, que a cripto é um ativo escasso e deflacionário – permanece intacta, alegam.
“Movimentos de curto prazo nos preços de commodities – incluindo bitcoin – precisam ser analisados por fluxos, não por fundamentos. Fundamentos impulsionam valor de longo prazo. Fluxos impulsionam preços de curto prazo. Confundir os dois leva à frustração”, afirmou Samir Kerbage, CIO da gestora Hashdex.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.
Bitcoin (BTC): -2,61%, US$ 68.801,09
Ethereum (ETH): -4,21%, US$ 2.032,55
XRP (XRP): -3,33%, US$ 1,40
BNB (BNB): -2,90%, US$ 624,41
Solana (SOL): -4,73%, US$ 83,74
Outros destaques do mercado cripto
BC explica novas regras cripto. A regulação do mercado cripto no Brasil entrou em vigor neste mês – e, para ajudar a traduzir o juridiquês, o Banco Central faz hoje uma live, a partir das 14h. A ideia é detalhar como funciona o processo regulatório, o que muda na prática e quais são os próximos passos para o setor no país. Para quem investe ou trabalha com cripto, vale acompanhar: é ali que começam a aparecer os impactos reais no mercado.
Saídas de fundos cripto desaceleram. Mesmo com a queda recente das criptomoedas, as retiradas dos fundos globais do setor perderam força. Entre 2 e 6 de fevereiro, os saques somaram US$ 187 milhões, bem abaixo dos cerca de US$ 1,7 bilhão retirados na última semana de janeiro. Ainda assim, o patrimônio desses veículos de investimento encolheu para US$ 129,8 bilhões, o menor nível desde março de 2025.
Tether reforça cofre de ouro. A gigante das stablecoins Tether segue comprando ouro e já entrou para o grupo dos 30 maiores detentores globais do metal. Lembrando que, além de tokens atrelados ao dólar, a empresa também tem cripto lastreada em ouro. Segundo estimativas do banco Jefferies, a companhia acumulava cerca de 148 toneladas até 31 de janeiro, algo em torno de US$ 23 bilhões. O volume já supera as reservas de países como Austrália e Coreia do Sul.
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