Durante a teleconferência de resultados, a administração afirmou que, apesar das boas condições de navegabilidade e das perspectivas favoráveis para a safra, a recepção de cargas tem enfrentado dificuldades relevantes neste começo de ano.
O problema, segundo o CEO Décio Amaral, está em um dos pontos mais sensíveis da operação: a estação de transbordo de cargas (ETC) de Miritituba, no Pará, onde caminhões que saem do Mato Grosso descarregam grãos para embarque em barcaças rumo aos portos do Norte.
É ali que o fluxo rodoviário se converte em transporte hidroviário – e onde qualquer gargalo afeta volumes, tarifas e margens do corredor Norte, principal motor de geração de caixa da companhia, responsável por quase 60% do lucro operacional (Ebitda) em 2025.
Segundo os executivos, o elevado número de caminhões, as chuvas intensas e as interdições decorrentes de obras de asfaltamento na via de acesso à estação têm prejudicado a fluidez operacional.
“Estamos observando resultados inferiores àqueles vistos no mesmo período do ano anterior”, afirmou o CFO, André Saleme Hachem, ao comentar o desempenho preliminar do primeiro trimestre.
Trimestre mais importante
O alerta é relevante porque o primeiro trimestre concentra o pico da safra de soja, quando os volumes transportados pelo corredor Norte tradicionalmente ganham tração. A rota pelo Arco Norte é estratégica para produtores do Centro-Oeste por reduzir distâncias até os portos em comparação com o escoamento pelo Sudeste.
A companhia reconheceu que o cenário eleva a disputa comercial entre os corredores Norte e Sul – onde estão portos como Santos, Paranaguá e Rio Grande – em um ambiente de fluxo intenso de grãos.
Para mitigar os efeitos no curto prazo, a empresa afirma estar adotando medidas contingenciais, como asfaltamento provisório de trechos críticos, sistema de agendamento conjunto entre operadores e aluguel de capacidade de terceiros.
Ainda assim, classificou 2026 como um “ano de transição” até a conclusão definitiva das obras, prevista para o fim deste ano.
Resultado de 2025
O alerta para o início de 2026 surge após um ano de forte recuperação operacional. Em 2025, a Hidrovias registrou resultado operacional (Ebitda) ajustado recorrente de R$ 1,1 bilhão, alta de 95% na comparação anual, e reduziu a alavancagem de 7 vezes para 2,3 vezes a dívida líquida pelo Ebitda.
No entanto, o lucro ainda não acompanhou integralmente a melhora operacional. A companhia encerrou o ano com prejuízo líquido de R$ 141 milhões, afetado por itens não recorrentes ligados à venda da operação de navegação costeira e ajustes contábeis.