Hoje, o petróleo Brent, referência global da commodity, encerrou em alta de 4,9%, a US$ 85,41 por barril. Já o WTI, a referência americana, subiu 8,5%, para US$ 81,01 por barril.
No caso da Axia, o ganho potencial está ligado à possibilidade de vender energia a preços mais altos no mercado. A empresa tem uma parcela relevante de sua produção disponível – ou seja, não comprometida em contratos de longo prazo – e consegue aproveitar o aumento do preço da energia para fechar novos contratos em patamares mais elevados.
E esse movimento ocorre em um momento de pressão sobre o sistema elétrico brasileiro. A menor quantidade de chuvas reduz o nível dos reservatórios das hidrelétricas e aumenta a necessidade de geração por usinas termelétricas, normalmente mais caras.
O cenário se intensifica com a crise no mercado global de gás. A Qatar Energy anunciou a interrupção de sua produção de gás natural liquefeito (GNL), responsável sozinha por cerca de 20% da oferta mundial, segundo cálculo do Itaú BBA. A decisão provocou uma forte alta nos preços do insumo usado pelas usinas térmicas. Esse é o “combo” que beneficia a geradora e transmissora brasileira.
Outras empresas também entram como possíveis beneficiadas pelo cenário internacional hoje. O saldo do ambiente de petróleo acima de US$ 80 o barril favorece as grandes distribuidoras de combustíveis.
Com a janela de importação fechada por conta da guerra no Irã e do bloqueio no Estreito de Ormuz, empresas como a Vibra e a Ultrapar voltam a ganhar espaço no mercado doméstico.
Acontece da seguinte forma: os preços de combustíveis no Brasil estão abaixo das cotações internacionais. Como a Petrobras costuma demorar para repassar imediatamente a alta do petróleo ao mercado interno, surge uma defasagem em relação ao chamado preço de paridade de importação (PPI).
Nesse cenário, distribuidoras como Vibra e Ultrapar compram combustíveis mais baratos e conseguem ampliar margens (a parte da receita que sobra após despesas e investimentos) ou ganhar participação de mercado.
Defasagem internacional afeta Petrobras
Apesar de parecer apenas uma vencedora com o petróleo mais caro, a Petrobras também colhe prejuízos em outra ponta no médio prazo.
A defasagem entre os preços internos de combustíveis e as cotações internacionais aumenta e intensifica a pressão por reajustes. Hoje, os preços de venda da estatal no mercado interno estão cerca de 22% abaixo do preço de paridade para a gasolina e 29% no caso do diesel.
As margens de refino – a diferença entre o preço do petróleo bruto e o valor dos combustíveis derivados, conhecida como crack spread – também dispararam recentemente. Nos últimos dias, as margens do diesel e da gasolina subiram 52% e 18%, respectivamente.
Em geral, uma alta do preço do petróleo tende a limitar o impacto líquido da defasagem dos preços internacionais no balanço da companhia. Mas tudo tem um limite.
Os analistas do Itaú BBA avaliam que a Petrobras tende a esperar um cenário mais claro antes de fazer qualquer ajuste de preços. Ao mesmo tempo, a política de preços da estatal permanece sujeita a pressões políticas, o que leva à natural conclusão – especialmente em ano eleitoral – de que a defasagem entre os valores praticados no Brasil e no exterior pode durar por mais tempo.