A Amazon, a maior empresa de comércio eletrônico do mundo, decidiu oferecer US$ 1.000 para motoristas de delivery que compartilham histórias sobre por que amam seus trabalhos.

Motoristas subcontratados receberam recentemente mensagens da Amazon incentivando-os a “nos contar o que os motiva” para a chance de ganhar uma competição chamada “Meu Porquê” – “My Why” no original em inglês.

“Isso pode incluir sua jornada para se tornar um motorista de entrega, o que você ama em entregar sorrisos aos clientes ou como esse papel apoia seus objetivos de vida maiores”, disse a empresa em materiais visualizados pelo Bloomberg.

Como parte do pedido, a empresa sugeriu que os motoristas respondessem a perguntas como descrever “o que faz você se sentir orgulhoso de usar o uniforme todos os dias”.

O concurso é voltado para motoristas empregados pelos chamados parceiros de serviço de entrega (DSP, na sigla em inglês), uma rede de pequenas empresas que a Amazon contrata para gerenciar centenas de milhares de trabalhadores que levam seus pacotes aos clientes.

O programa gerou controvérsias sobre as condições de trabalho dos motoristas — e a insistência da Amazon de que não é legalmente seu empregador.

“Durante anos, demonstramos apreço pelos parceiros de serviço de entrega e seus motoristas por todo o excelente trabalho que eles fazem para entregar aos clientes da Amazon”, disse o porta-voz da empresa, Steve Kelly, em uma declaração enviada por e-mail na quinta-feira (26).

“‘Meu Porquê’ é um concurso nacional destinado a destacar os motoristas empregados por nossos parceiros e celebrar as diversas motivações para realizar esse trabalho e apoiar suas comunidades.”

Cem participantes do concurso receberão prêmios em dinheiro de US$ 1.000, conforme informou a empresa aos trabalhadores. Os 10 principais vencedores também receberão cada um uma “experiência VIP” para si e um convidado.

Antes de fazer suas inscrições, que devem ser enviadas até este sábado (28), os motoristas são solicitados a consentir que suas palavras e imagem sejam “usadas pela Amazon em comunicações internas e externas” e a concordar em participar de “qualquer atividade de mídia necessária.” Os trabalhadores têm a opção de retirar seu consentimento, disse a Amazon.

O Conselho da Cidade de Nova York deve realizar uma audiência em 9 de abril sobre um projeto de lei que exigiria que empresas como a Amazon empregassem diretamente os trabalhadores de entrega de última milha que levam pacotes aos clientes dentro dos limites da cidade.

Na semana seguinte, em Los Angeles, um juiz do Conselho Nacional de Relações Trabalhistas dos EUA deve retomar a audição de testemunhos em um caso em andamento da Amazon relacionado aos DSPs.

A agência alega que a empresa com sede em Seattle, fundada por Jeff Bezos, era legalmente a chefe de um grupo de motoristas contratados e precisava negociar coletivamente com eles. A Amazon negou qualquer irregularidade no caso.

Um dos trabalhadores que recebeu a mensagem sobre o concurso, o motorista de entrega de Nova York Jerome Sloss, disse que considerou um esforço desrespeitoso para fazer com que os motoristas ajudassem a melhorar a imagem da Amazon. É também um sinal da pressão que a empresa está sentindo devido aos desafios ao modelo DSP, disse ele.

“Eles nem nos reconhecem como funcionários de verdade, mas estão nos oferecendo US$ 1.000 para falar sobre por que gostamos de ‘entregar sorrisos’”, disse Sloss, um ativista do sindicato Teamsters que se manifestou em apoio ao projeto de lei de Nova York.

A Amazon afirmou na quinta-feira que o concurso ecoa os programas existentes da empresa e que nunca teve a intenção de usar as submissões dos trabalhadores para se opor à legislação ou procedimentos legais.

“Os vencedores do concurso ‘Meu Porquê’ serão decididos pelos DSPs por meio de um processo anonimizado, e a ideia de que programas como ‘Meu Porquê’ são motivados por fatores externos é simplesmente falsa”, disse a empresa.