Apenas quatro navios graneleiros e dois transportadores de gás liquefeito de petróleo cruzaram a hidrovia na quinta-feira, segundo dados de rastreamento baseados nos sinais do Sistema de Identificação Automática (AIS) das embarcações. Foram 39 na última semana. Isso se compara a uma média de quase 60 navios comerciais por dia em 2025.
As travessias não parecem ter sido impulsionadas pela tentativa do Irã de implementar um sistema de pedágio, buscando pagamentos de até US$ 2 milhões por viagem pela hidrovia. Teerã também afirmou nesta semana que navios de países “hostis” não teriam permissão para passar, destacando a possibilidade de que outros possam ser autorizados.
Gargalo petrolífero do mundo
O fechamento efetivo da rota tornou-se a questão mais urgente para a economia global, já que se trata do principal gargalo petrolífero do mundo. Isso está provocando uma grande redução na oferta global de petróleo, elevando os preços dos combustíveis e forçando países produtores da região a cortar milhões de barris por dia de produção.
Os dados de rastreamento sugerem que um suposto “presente” que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter recebido do Irã — a permissão para a passagem de 10 petroleiros — ainda não se concretizou.
Vale destacar que navios podem estar atravessando sem serem detectados, o que dificulta determinar com precisão o número de travessias.
A maioria das embarcações desliga seus sistemas de sinalização ao navegar pela região e só os reativa quando já estão bem distantes.
As imagens de satélite da área também têm atraso, o que complica ainda mais o monitoramento.
Na sexta-feira, Irã e Israel trocaram novos ataques com mísseis, com Teerã também mirando países do Golfo. A Arábia Saudita informou ter interceptado drones e mísseis direcionados a Riad, enquanto alertas foram emitidos em Doha e portos do Kuwait sofreram danos causados por ataques de drones. Já Israel afirmou que está intensificando ataques contra a infraestrutura militar iraniana.
Na sexta-feira, veio à tona que um armador, a Dynacom Tankers Management Ltd., da Grécia, enviou pelo menos seu terceiro petroleiro pelo estreito.
Para tentar identificar navios que desligam seus transponders, a Bloomberg monitora embarcações que desaparecem do Golfo Pérsico, bem como aquelas que reaparecem em águas muito além de Hormuz.