A expansão de descobertas offshore, incluindo Búzios, impulsionou os investimentos e criou escassez de mão de obra no maior produtor de petróleo da América Latina, disse Telmo Ghiorzi, chefe da ABESPetro.
Segundo ele, dezenas de bilhões de dólares em investimentos permitiram ao setor superar os reveses de uma década atrás, que incluíram um grande escândalo de corrupção, a queda dos preços do petróleo e uma paralisação prolongada na concessão de licenças de exploração.
Os níveis de emprego devem se estabilizar por alguns anos antes de começar a cair no início da década de 2030, após a Petrobras concluir os projetos atuais na região do pré-sal.
“Se não tivermos descobertas, não teremos empregos”, disse Ghiorzi em entrevista coletiva nesta quinta-feira. “Há preocupações que precisam ser enfrentadas para manter esse nível.”
O petróleo se tornou o principal produto de exportação do Brasil nos últimos anos, mas Ghiorzi alertou que o país corre o risco de se tornar importador dentro de uma década caso não haja avanço na exploração em áreas offshore, incluindo a Margem Equatorial, que enfrenta atrasos no licenciamento.
Caso grandes descobertas sejam feitas, o emprego poderá voltar a crescer no fim da década de 2030 e superar os níveis atuais. A indústria brasileira de equipamentos offshore também poderá fornecer para projetos no Suriname e na Namíbia, além da Guiana, que já compra equipamentos de fornecedores brasileiros, disse Ghiorzi.