O Brasil está voltando ao mercado internacional para captar dinheiro com a emissão de títulos em euros pela primeira vez em mais de dez anos. Com isso, entra no grupo de países emergentes que tentam diversificar de onde vem seu financiamento.

A maior economia da América Latina deve levantar 4 bilhões de euros — o equivalente a US$ 4,7 bilhões — em uma operação dividida em três partes, com vencimentos em 2030, 2033 e 2036, segundo uma fonte ouvida pela Bloomberg. O custo desses papéis caiu em relação às conversas iniciais com investidores, sinal de boa receptividade do mercado, disse a fonte, que pediu anonimato.

Será a primeira emissão de títulos em euros pelo Brasil desde 2014, segundo dados do Tesouro Nacional. O governo já informou que pretende recorrer com mais frequência ao mercado internacional em 2026, com emissões em dólar, euro e renminbi, a moeda chinesa.

A ideia é não depender tanto do dólar e ampliar a presença da dívida brasileira em outros mercados. Segundo Dario Durigan, ministro da Fazenda em exercício, a estratégia também ajuda o país a criar referências para futuras captações em diferentes moedas.

BBVA, BNP Paribas, BofA Securities e UBS Investment Bank coordenam a operação, que pode ser concluída nesta quarta-feira, segundo a fonte.

A emissão acontece às vésperas da eleição presidencial marcada para outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, são apontados como possíveis rivais em uma disputa apertada, com algumas pesquisas indicando leve vantagem para Flávio.

Hoje, a nota de crédito do Brasil continua abaixo do chamado grau de investimento. O país é classificado como Ba1 pela Moody’s, um nível abaixo dessa faixa, e como BB pela Fitch e pela S&P, duas notas abaixo.