É possível montar uma carteira de renda em dólar sem sair do mercado brasileiro. E a melhor forma de montar essa estratégia é por meio de ETFs, ou seja, fundos que seguem um índice e são negociados na B3 como se fossem ações.
LEIA MAIS: Estratégias para Viver de Renda: saiba tudo sobre a renda passiva na nova série do InvestNews
Existem 6 ETFs atrelados a índices internacionais que recebem dividendos ou outras rendas em dólar e distribuem esses valores aos investidores com regularidade. A maioria paga mensalmente.
Além dos fundos locais existem também, pelo menos, 16 BDRs de ETFs que distribuem renda regularmente aos investidores. Veja quais são nas tabelas mais abaixo.
Os BDRs funcionam como uma maneira de “importar” uma estratégia existente lá fora para o mercado brasileiro. São recibos que representam um ativo estrangeiro, como ações ou cotas de ETFs, mas que são negociados aqui mesmo na B3.
A renda desses ETFs ou BDRs de ETFs originalmente é em dólar, mas os aplicadores brasileiros vão receber os pagamentos em reais. As gestoras responsáveis pelos produtos fazem a conversão e já recolhem os impostos e taxas devidos antes de depositar os valores nas contas dos cotistas.
Esse tipo de produto, portanto, é menos indicado para acumular dólares e mais para diversificar a carteira de renda. A lógica é que o momento está favorável a comprar a proteção da moeda forte porque ela está mais barata.
A diversificação ajuda a compensar períodos nos quais outras classes de ativos, como a renda fixa ou a bolsa, estejam negativas. Isso porque, em cenário de incerteza, os investidores globais correm para o dólar, um dos mais tradicionais portos seguros do capital internacional.
E não é preciso ser especialista para entender o atual sobe e desce da moeda americana. O dólar tem reagido fortemente ao cenário da Guerra no Irã. Além disso, se hoje o cenário parece favorável ao real, ninguém consegue prever o que vai acontecer no curto prazo. Muitas vezes nem mesmo de um dia para o outro.
Por exemplo, há um cenário que esteve por um fio de se concretizar nos últimos dias: o conflito no Oriente Médio se consolidar como um evento duradouro, o petróleo voltar a disparar e a inflação global sair do controle.
No desenvolvimento descrito, os bancos centrais tendem a voltar a subir juros. A partir daí, o fluxo de capital estrangeiro que tem sustentado a moeda brasileira pode ser revertido rapidamente, mesmo que no curto prazo.
Por isso, diversificar agora pode significar construir um colchão para a volatilidade futura.
Estratégias dos ETFs também contam
É preciso ressaltar que cada ETF ou BDR de ETF aplica os recursos em índices com teses de investimentos e classes de ativos diferentes entre si. Significa que os riscos são distintos.
Há, por exemplo, estratégias baseadas em criptomoedas, em derivativos e outras que podem oscilar de maneira muito mais forte. São fundos de índices de alta volatilidade. O retorno com a renda, medido pelo “dividend yield” em 12 meses, pode estar elevado, mas, em geral, isso significa que o valor da cota está baixo.
Os próprios índices de ações apresentam comportamentos distintos porque variam entre setores, geografias e tamanhos de companhias. Papéis de empresas de menor porte, com baixa capitalização, conhecidas no Brasil como “small caps”, por exemplo, tendem a ser mais sensíveis aos ciclos econômicos.
Quem olha renda, no entanto, mantém um horizonte de investimentos de longo prazo. Por isso, ter ativos que não se comportem da mesma maneira nas diferentes situações dos mercados ajuda a gerar um rendimento mais estável.
Conheça os ETFs com renda atrelada ao dólar
Conheça os BDRs de ETFs com renda atrelada ao dólar
O IR nos ETFs de renda em dólar
No caso dos ETFs que distribuem dividendos em dólar não pagam imposto de renda no Brasil, porque já existe a tributação de 30% na fonte sobre os proventos pagos nos EUA.
No entanto, a renda obtida por meio de derivativos ou criptomoedas tem incidência de IR à alíquota de 15%, recolhido pelo investidor. As corretoras avisam os investidores sobre a parcela do rendimento que tem imposto.
Além disso, se for um BDR, o banco custodiante geralmente retém uma taxa de serviço (em média de 3%) sobre o valor do dividendo antes de repassá-lo.
Fora o IR dos dividendos, todos os ETFs e BDRs de ETFs têm ainda cobrança do imposto nos ganhos com as negociações de cotas. Ou seja, quando o investidor vende sua participação na bolsa, se houver lucro vai ter de recolher 15% sobre a diferença entre quanto pagou originalmente e quanto recebeu a mais.