As ações da Boeing caíam 4,8% em Nova York após o anúncio feito por Trump em entrevista à Fox News nesta quinta-feira.
Ainda não está claro quais aeronaves fazem parte do pedido mencionado por Trump. Companhias aéreas chinesas eram esperadas para encomendar até 500 aeronaves 737 Max, além de alguns modelos de fuselagem larga.
Trump e o presidente chinês Xi Jinping se reuniram nesta semana para discutir temas sensíveis entre as duas maiores economias do mundo, incluindo sanções, barreiras comerciais e a guerra no Irã.
Segundo Trump, a China concordou em comprar 200 grandes aviões da Boeing. “A Boeing queria 150, conseguiu 200”, afirmou.
Um representante da Boeing não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Para a Boeing, o acordo encerra anos de negociações com companhias aéreas chinesas e põe fim ao longo período sem grandes pedidos no segundo maior mercado de aviação do mundo.
A retomada das vendas para a China ajudaria a companhia a reforçar suas finanças em meio ao processo de reestruturação liderado pelo CEO Kelly Ortberg, que integra a delegação de Trump. O acordo também garantiria às companhias aéreas chinesas acesso a aviões fabricados nos EUA em um momento de forte demanda global por novas aeronaves.
Ainda assim, analistas avaliaram o anúncio com cautela. Para George Ferguson, da Bloomberg Intelligence, um pedido de 200 aviões decepciona um mercado que esperava algo acima de 300 unidades. Ele afirmou que, até que o contrato seja oficialmente confirmado por uma companhia aérea, o pedido não entrará na carteira firme da Boeing.
A China encomendou apenas 39 aviões da Boeing nesta década. Se confirmado, o acordo pode marcar a retomada das compras chinesas de aeronaves americanas.
Pequim não anunciava uma grande encomenda à Boeing desde a última visita de Trump ao país, em 2017. Tradicionalmente, o governo chinês faz compras em grande escala da Boeing e da europeia Airbus para depois distribuir as aeronaves entre empresas estatais.
Em janeiro de 2020, a China havia prometido comprar US$ 77 bilhões em produtos americanos, incluindo aviões, mas não cumpriu o compromisso após a pandemia de Covid-19 derrubar o setor aéreo.
Airbus
A Boeing acabou perdendo espaço na China para a Airbus em meio às tensões comerciais e à longa suspensão do 737 Max. A China foi o primeiro país a proibir o modelo após dois acidentes fatais e só autorizou o retorno das operações em 2023, anos depois da aprovação pela autoridade aérea americana.
Desde julho de 2022, grandes companhias aéreas chinesas encomendaram ou assumiram compromisso de compra de cerca de 700 aeronaves da Airbus, incluindo um pedido de 137 aviões anunciado em abril pela China Southern Airlines e uma subsidiária.
Ao mesmo tempo, a China também desenvolveu seu próprio avião comercial concorrente do Airbus A320 e do Boeing 737, o C919, fabricado pela Commercial Aircraft Corporation of China. O modelo já recebeu mais de mil encomendas, principalmente de companhias chinesas, embora a produção ainda avance lentamente.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, a Boeing vem acumulando novos pedidos, com vendas de aeronaves aparecendo em acordos comerciais com países como Arábia Saudita, Catar e Coreia do Sul.
Trump afirmou recentemente ter ajudado a Boeing a vender mil aviões. “A Boeing me deu um prêmio de maior vendedor da história da empresa”, disse em dezembro durante uma reunião empresarial na Casa Branca.