O suspense da novela da privatização da Copasa, finalmente, vai terminar. Na próxima quarta, dia 27, o governo de Minas planeja divulgar quem venceu a disputa pelo controle da companhia de saneamento estadual.

Mas, independentemente de quem ganhar o leilão, o investidor pessoa física também terá oportunidade de entrar tanto na privatização quanto se posicionar antes do processo, previsto para o início de junho. Só tem um detalhe: como as notícias sobre a privatização da Copasa frequentam o noticiários desde o ano passado, a ação da companhia (CSMG3) já andou bastante.

O papel subiu 114% em 12 meses até 19 de maio. Só neste ano, 21%, cotada a R$ 52,56.

Mesmo asssim as casas de análise, ainda enxergam potencial de alta, ainda que limitado. O Itaú BBA estima o preço-alvo para o fim de 2026 em R$ 55,90. Ou seja, 6% acima do nível atual.

“O processo de privatização deve ser concluído até o fim do segundo trimestre de 2026, o que tende a reduzir incertezas e destravar valor para a companhia”, dizem os analistas Fillipe Andrade e Lucas Guimarães, em relatório.

Já o Santander mostra uma visão mais otimista e coloca o preço-alvo neste ano em R$ 61,68 – alta adicional de mais 17%, portanto. O consenso de 13 casas sobre o preço-alvo em 12 meses de CSMG3 embute um potencial mais modesto de ganho, de 4%, para R$ 54,64.

Apesar da alta recente, a relação entre o preço da ação e o lucro líquido da companhia nos últimos 12 meses (P/L) mostra que o papel tem sido negociado na média do setor: 14 vezes. Significa que ação não está “cara”. Mas que também não é uma pechincha – seria se o P/L estivesse abaixo da média das empresas privadas de saneamento. Não está. Para reduzir essa variável, o preço da ação precisa cair – ou o lucro aumentar.

Mas há janela para mais lucros, de acordo com os analistas do Itaú. Eles ressaltaram haver possibilidade de que uma nova gestão possa melhorar a eficiência operacional e ampliar a base de serviços, incluindo, por exemplo, tratamento de esgoto em contratos que hoje abrangem apenas fornecimento de água.

Privatização em duas etapas

O processo de privatização da Copasa inclui duas fases. Na primeira, haverá a definição de um novo controlador para a companhia antes da oferta pública.

Depois, o governo de Minas Gerais pretende ofertar 57 milhões de ações para os investidores em geral. Dá 15% da companhia – o Estado tem hoje 50,03%. A definição do preço está prevista para 2 de junho.

Será uma oferta secundária. Isso significa que apenas o governo mineiro vai vender ações que já tem, sem emissão de novos papéis.

Embora o cronograma oficial não tenha sido divulgado, a previsão é que a oferta chegue ao mercado na primeira semana de junho. O feriado de Corpus Christi, no entanto, pode adiar o processo para a segunda semana.

De acordo com a Bloomberg, a Copasa vai aceitar propostas de empresas interessadas em se tornar o “investidor de referência/estratégico”, que vai assumir o controle da empresa na privatização, entre 21 e 25 de maio.

Sob nova direção

O nome desse investidor estratégico será anunciado na quarta-feira que vem. O novo controlador vai adquirir 30% das ações da estatal e, com isso, obter o controle do grupo antes mesmo de a oferta secundária ser lançada na bolsa.

A Sabesp a a Aegea são as mais fortes candidatas a vencer a disputa. A companhia de saneamento de São Paulo contratou o Bradesco no fim de abril para elaborar uma proposta.

No total, o processo envolve a venda de 45% dos 50,03% de participação do governo mineiro na Copasa. A estimativa é que a operação levante R$ 10 bilhões, recursos que vão entrar no caixa do Estado de Minas Gerais.

O vencedor do certamente poderá ainda comprar mais papéis na bolsa até o limite de 45%, considerando os 30% que vai pegar na aquisição do controle.