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Coluna do Samy

Como garantir adesão a vacinas? A resposta da economia comportamental

Oferecer um prêmio em troca da vacinação pode ser boa estratégia.

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Mulher é vacinada contra Covid-19 em Duque de Caxias, RJ 21/04/2021 REUTERS/Ricardo Moraes

Nos Estados Unidos, a grande notícia é de que encontros sem máscaras e sem distanciamento ao ar livre estão liberados devido ao avanço da vacinação contra a covid-19. Na prática, o maior passo já dado pelo país para voltar à normalidade, junto com a economia e com efeitos óbvios sobre os investimentos.

Com o anúncio, o Centro de Controle de Doenças (CDC na sigla original) pode ter desagradado alguns cientistas, que pregam ainda não ser a hora de abandonar a máscara para evitar que o vírus fique circulando. Mesmo com as pessoas protegidas, foram feitos alertas sobre o surgimento de novas variantes, como a de Manaus. Mas prevaleceram, segundo o noticiário, motivações comportamentais.

Depois de atingir 3,8 milhões de pessoas em abril, a média diária de vacinados desacelerou para pouco mais de 2 milhões. Segundo pesquisa da CNN, realizada em abril, um em cada quatro americanos não pretende se vacinar. Aqui no Brasil temos números melhores. Em março, chegou a 84% o percentual de brasileiros que querem a vacina, segundo o Datafolha. Mas em janeiro os hesitantes eram 21%. Um em cada cinco pessoas.

Do ponto de vista sanitário, liberar a máscara e o distanciamento para atrair os céticos aumenta o risco, já que a população é exposta antes da hora. Porém há certa lógica em esperar que, se muitos hesitantes aderirem, venha a ser atingida logo a imunidade de rebanho, patamar em que o vírus deixa de circular. Além do mais, a liberação oferece aos vacinados algo que os não vacinados também anseiam – a volta à normalidade.

Se recusar a adotar uma novidade criada para melhorar a vida não é novidade, aponta estudo de Stacy Wood (Langdon University), professora de Marketing, e Kevin Schulman (Stanford), professor de Medicina, publicado no começo do ano no New England Journal of Medicine. Da eletricidade aos computadores pessoais, não faltam casos em que um grande número de pessoas optou por uma situação menos vantajosa.

A relação das pessoas com a covid-19 e com suas vacinas também é marcada por uma combinação complexa de informação, benefícios e identidade social, defende o trabalho. É o que mostram as pesquisas. Pesa, por exemplo, a opção política. Entre republicanos com menos de 50 anos, 57% rejeitam a vacina. Este número cai para 34% entre os republicanos com mais de 50 anos na pesquisa da CNN, mas na média a recusa atinge 44%.

Há diferenças marcantes na recusa entre pessoas com mais escolaridade (18%) e menos (31%). Mas o dado mais surpreendente é o grupo com menos adesão às vacinas nos Estados Unidos. Entre os entrevistados que diziam que gostariam de retomar imediatamente a rotina de antes da pandemia, 6 em cada 10 não querem ser imunizados, preferem retornar logo mesmo com o risco de aumentarem os casos de covid.

Existem ainda os imunizados com a primeira dose que não voltam para a segunda – 1,5 milhão de pessoas no Brasil. Oferecer um incentivo como a promessa de liberação das máscaras pode ajudar. E os pesquisadores também sugerem estratégias inspiradas nos estudos sobre consumo. Por exemplo, distribuir pulseiras ou outro elemento visual aos vacinados. O que é observável aumenta a taxa de adesão. Vale para vacinados.

Também ajudaria ressaltar à população que o acesso à vacina menos de um ano e meio desde o surgimento do coronavírus é um privilégio raro na história da humanidade. Ajudaria a lidar com a impaciência dos não vacinados e o temor de que se trata de uma vacina nova. E para os resistentes à imunização devido à ideologia, funciona a comunicação do governo ressaltar o inimigo comum a todos os grupos: a pandemia.

Não surpreende que tenha partido de um governo democrata a liberação das máscaras em troca da vacina. Na gestão do ex-presidente Barack Obama, também do partido, várias políticas públicas surgiram inspiradas em estudos do comportamento. Agora, vai funcionar? Só o tempo vai dizer. Mas oferecer um prêmio em troca da vacinação é boa estratégia, que pode valer para o Brasil no caso da segunda dose.

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