O Banco Central anunciou nesta sexta-feira (27) a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento S.A., bem como das suas controladas Acqio Adquirência Instituição de Pagamento e Octa Sociedade de Crédito Direto, todas integrantes do Conglomerado Entrepay.

O conglomerado, de pequeno porte e classificado no segmento S4 da regulação prudencial, tinha como instituição líder a Entrepay. Em dezembro de 2025, suas entidades correspondiam a aproximadamente 0,009% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Por se tratarem de instituições de pagamento e sociedade de crédito direto, não há captações cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo o Banco Central, a liquidação foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder, além de infringência às normas que regem sua atividade, gerando risco anormal aos credores.

O órgão afirmou que continuará a apurar responsabilidades legais, podendo aplicar medidas administrativas e comunicar autoridades competentes. De acordo com a lei, os bens de controladores e ex-administradores das instituições ficam indisponíveis.

Antonio Freixo

O CEO da Entrepay, Antonio Freixo, conhecido como Mineiro, foi alvo da operação Compliance Zero e teve seu nome citado nas investigações do caso Master, envolvendo irregularidades financeiras que movimentaram o mercado.

Mineiro é empresário mineiro com carreira em bancos, incluindo Credit Suisse e Garantia, e atualmente é dono do Grupo Entre, fundado em 2019. A holding atua nos setores financeiro e de tecnologia, controlando a fintech EntrePay e a PMovil, além de investimentos recentes no jornalismo digital, como a aquisição dos direitos digitais das marcas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro.

O Grupo Entre também era ativo na distribuição de maquininhas de pagamento e serviços associados, como pagamentos de boletos e oferta de financiamentos, atendendo clientes como o Banco do Nordeste e o Banpará.

Mineiro iniciou seus investimentos em mídia inspirado em estratégias de empresas como o PagBank, buscando gerar conteúdo independente e confiável que fortaleça a reputação do grupo. Apesar do investimento no setor, ele afirma que não interfere no conteúdo jornalístico, mantendo-se atuante como empresário.