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Economia

Brasil deve deixar de exportar US$ 7 bi com coronavírus e desaceleração global

Afetadas por previsões negativas sobre o crescimento da China, ações de empresas brasileiras ligadas a commodities acumularam perdas de até 14% no último mês.

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Exportações

O Brasil deve deixar de exportar US$ 7 bilhões para o resto do mundo em 2020, contagiado pelos efeitos do coronavírus e também pela tensão entre China e Estados Unidos — a disputa está longe do fim, apesar da trégua temporária. Essa é a previsão da MacroSector Consultoria, que calculou que o total exportado deve cair para US$ 217 bilhões este ano e reduzir o saldo da balança comercial do Brasil.

Ainda é cedo para entender a real dimensão dos danos que o surto pode provocar na economia do país, segundo analistas. Mas a doença que já atingiu 70 mil pessoas e interrompeu a produção industrial da China, ainda que de forma temporária, já vem abalando com força os preços das commodities e as ações das empresas que dependem do gigante asiático.

Tombo forte na Bolsa

É o caso das principais companhias de capital aberto no Brasil no último mês, quando os primeiros casos do coronavírus começaram a acender o sinal de alerta dos investidores. Em comum, estas produtoras de matérias-primas têm a China como um de seus principais destinos de exportação.

Até o fechamento de sexta-feira (14), os papéis da mineradora Vale (VALE3) haviam perdido mais de 10% no acumulado de 30 dias, derrubados pela baixa nos preços do minério de ferro.

Enquanto isso, as produtoras de carnes JBS (JBSS3) e BRF (BRFS3) perderam, cada uma, acima de 13%, revertendo parte dos ganhos recentes que haviam acumulado com o surto da gripe suína, que forçou os chineses a consumirem mais carne bovina no Brasil e elevou os preços no mercado doméstico. 


As siderúrgicas também sofreram: a CSN (CSNA3) teve baixa de mais de 14% e a Gerdau (GGBR4), ao redor de 7%. A Suzano (SUZB3), uma das maiores exportadoras de papel e celulose, também recuava quase 10%. A Petrobras (PETR4) apresentava uma queda mais tímida neste cenário, de 1,44%.

“Já se sabia que a China ia perder fôlego e desacelerar com a guerra comercial, mas agora o coronavírus trouxe esse movimento inesperado, o que deve afetar ainda mais as receitas do Brasil com exportações”, avalia o sócio-diretor da MacroSector, Fabio Silveira.

Efeitos na balança comercial

Consultorias e bancos internacionais reduziram suas projeções de crescimento do PIB chinês de 6% para algo entre 5,4% e 5,8%. Alo bastante significativo quando se leva em conta que a China, hoje, representa 16% de todo o fluxo do comércio global.

Com isso, espera-se que essa redução tenha um impacto direto na demanda por matérias-primas como a soja brasileira, principal produto que o Brasil exporta para a China, seguido do petróleo e minério de ferro.

A previsão da MacroSector é de que o superávit comercial do Brasil (quando o volume de exportações supera as importações) com o resto do mundo deverá recuar para US$ 35 bilhões este ano. Com a China, principal parceiro comercial do Brasil, este saldo deve cair para US$ 24 bilhões, nos cálculos da consultoria. As exportações para a China encolheriam em US$ 5 bilhões.

Para Silveira, a possível piora do saldo comercial pode gerar uma “intranquilidade” nas contas externas do Brasil, que no entanto ainda tem uma reserva internacional em torno de US$ 350 bilhões para “queimar”. “Um déficit nas transações correntes mostra a vulnerabilidade de uma economia”, resume.

Dólar alto pode compensar perdas

O economista-chefe da Infitnity Asset, Jason Vieira, acredita que o dólar mais valorizado pode ajudar a compensar a queda na receita das exportadoras brasileiras com os preços mais baixos das commodities lá fora. 

Por outro lado, ele acrescenta que uma redução nas exportações também deve impactar as importações. A China também é uma importante fornecedora de insumos para nossa indústria local. “Se deixarmos de exportar certas commodities também podemos ter problemas em suprir nossa cadeia de fornecimento”, diz.

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