O presidente do Banco Central, Roberto Campos Netos, concordou que a taxa de juros real no Brasil é elevada, mas disse que, apesar disso, está menos alta do que no passado. A declaração foi dada uma semana após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,50% passando para 13,25% ao ano.
De acordo com Campos Neto, o “clamor” por causa da alta taxa de juros é justo, mas ressaltou que o Banco Central está trabalhando pra levar a inflação para a meta sem precisar subir os juros.
“A taxa de juros real do Brasil hoje é alta, é. Mas ela é bem menos alta em relação à média do que foi no passado. Essa crítica de que a taxa de juros é muito alta é verdadeira, mas ela não resiste a uma análise comparativa intertemporal porque no passado ele foi muito mais alta do que ela é hoje.”
Roberto campos Neto, presidente do BC
“Isso significa que nós estamos fazendo um trabalho de trazer a inflação pra meta com uma taxa de juros real menos alta do que foi na média nos outros ciclos que precisou subir os juros para combater a inflação”, completou.
Ele participou na manhã desta quinta-feira (10) de sessão especial do Senado para dar explicações sobre a inflação e estabilidade financeira do país.
Pouso suave
Campo Neto também afirmou que o Brasil se destaca claramente em relação a outros países, entre a queda de inflação e pouco dano dos juros altos ao Produto Interno Bruto (PIB) e desemprego, o que chamou de “pouso suave”.
“O BC fez um bom trabalho em termos de pouso suave. O que é pouso suave? É trazer a inflação para baixo com o mínimo de custo possível tanto de crescimento, de emprego e contração de crédito. É importante mencionar que a gente tem uma luta com a inflação pela frente, mas a gente está atingindo um pouso suave de forma bastante eficiente.”
Crédito rotativo
O presidente do Banco Central também sugeriu que a solução para os juros elevados e da inadimplência do cartão de crédito é a extinção do crédito rotativo.
“A gente tem 90 dias para apresentar uma solução, que está se encaminhando para que não tenha mais rotativo. O crédito vai direto para o parcelamento, que seja com uma taxa ao redor de 9% [ao mês]. Extingue o rotativo, quem não paga o cartão vai direto para o parcelamento ao redor de 9%”, afirmou.
roberto campos neto
Segundo ele, as faturas que não forem pagas totalmente iriam automaticamente para o sistema de crédito parcelado do cartão, com uma taxa mensal de juros em torno de 9% ao mês, que corresponde a 181% ao ano. Atualmente, os juros do rotativo estão em 437% ao ano, enquanto o parcelado do cartão está em 196% ao ano.
“A gente cria algum tipo de tarifa para desincentivar esse parcelamento sem juros tão longo. Não é proibir o parcelamento sem juros, é simplesmente tentar fazer com que ele fique um pouco mais disciplinado, fazer de uma forma bem faseada para não afetar o consumo.”
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