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Economia

Copom reduz a Selic a 12,75% ao ano, em linha com o esperado

A decisão foi unânime; comitê ainda sinalizou mais cortes de 0,5 p.p nas próximas reuniões

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira (20), conforme era esperado pelo mercado. Com isso, a taxa básica de juros passa de 13,25% para 12,75% ao ano. A decisão foi unânime.

O Copom ainda sinalizou mais cortes de 0,5 p.p nas próximas reuniões. “Em se confirmando o cenário esperado, os membros do Comitê, unanimemente, anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário”, diz o comunicado.

O BC também voltou a informar que seguirá acompanhando os próximos dados de inflação e atividade econômica para definir os próximos passos de política monetária.

Brasília, 02/08/2023 - Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil. Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Brasília, 02/08/2023 – Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil. Foto: Raphael Ribeiro/BCB

“A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento e por expectativas de inflação com reancoragem parcial, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária. O Comitê reforça a necessidade de perseverar com uma política monetária contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.”

Sobre os cenários para a inflação, o Copom incluiu fatores internos e externos em seu balanço.

Riscos de alta da inflação:

  • uma maior persistência das pressões inflacionárias globais;
  • uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado.

Riscos de baixa da inflação:

  • uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada;
  • os impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.

De fora, o Copom “notou a elevação das taxas de juros de longo prazo dos Estados Unidos e a perspectiva de menor crescimento na China“, enquanto no cenário interno o destaque foi para “maior resiliência da atividade econômica do que anteriormente esperado, mas o Copom segue antecipando um cenário de desaceleração da economia nos próximos trimestres”.

Repercussão

Especialistas consideram que o BC foi cauteloso no comunicado, mas mantiveram a expectativa por mais cortes da Selic. Maykon Douglas, economista da Highpar, comenta que, “apesar dos avanços no processo desinflacionário nos últimos meses, que motivaram o início dos cortes de juros, o BC naturalmente manteria a parcimônia em seu tom”.

“A decisão nos faz manter a expectativa de manutenção dos cortes de 50 bps nas duas próximas reuniões. Cremos que o mercado aguardará, sobretudo, a discussão sobre o hiato de produto na ata para recalibrar ou não essas expectativas”, disse o especialista.

Sede do Banco Central em Brasília (Foto: Divulgação/BC)
Sede do Banco Central em Brasília (Foto: Divulgação/BC)

Da mesma forma, Marianna Costa, economista-chefe do TC, avalia que “a comunicação do Copom ratifica a percepção dos agentes de mercado de que o ciclo de queda dos juros deve seguir pelos próximos meses, na magnitude adotada hoje e deve perdurar até meados do próximo ano”.

Mas, apesar de o comunicado do Copom ter sinalizado cortes da mesma magnitude de agora nas próximas reuniões, a especialista do TC vê possibilidade de cortes maiores na Selic pela frente.

“Dentro do nosso entendimento, a continuidade da queda da inflação corrente com efeitos benignos sobre a trajetória futura dos preços tende a fomentar a discussão sobre a possibilidade de aumento no ritmo dos cortes da taxa Selic. Entendemos que há espaço para chegar perto de 9,5% no segundo trimestre de 2024, e que o ajuste residual será o grande foco dos debates daqui em diante.”

Marianna Costa, economista-chefe do TC

Já Raphael Vieira, co-head de Investimentos da Arton Advisors, comenta que “houve um componente interessante de unanimidade tanto na decisão por reduzir como de possivelmente manter o passo para as próximas reuniões”.

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