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Economia

Ata do Copom trouxe explicações técnicas e adequadas, diz Haddad

A decisão sobre o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 10,50% ao ano, foi tomada com divergência dos quatro diretores indicados pelo presidente Lula

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na manhã desta terça-feira (14) veio muito técnica e adequada, com argumentos pertinentes e defensáveis, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Em entrevista a jornalistas, Haddad afirmou que impressões negativas geradas no mercado na última semana diante da divisão na diretoria do BC se dissiparam com a publicação da ata nesta terça.

O documento mostrou que apesar da divisão no colegiado sobre a intensidade do corte na Selic este mês, todos os diretores do BC defenderam uma política monetária mais contracionista, cautelosa e sem indicação futura sobre os próximos movimentos nos juros.

Na última quarta-feira (9), o Copom anunciou uma redução no ritmo de afrouxamento monetário ao fazer um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 10,50% ao ano, após seis quedas consecutivas de 0,50 ponto na taxa.

A decisão sobre o corte foi tomada com divergência dos quatro diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defenderam a manutenção do corte mais forte nos juros básicos, de 0,50 ponto.

A ata divulgada nesta terça-feira (14) abriu detalhes sobre a divisão, afirmando que o grupo majoritário considerou que o cenário esperado não se confirmou em função da desancoragem adicional das expectativas, da elevação das projeções de inflação, do cenário internacional mais adverso e da atividade econômica mais dinâmica do que esperado.

“Para tais membros, o ‘forward guidance’ indicado na reunião anterior sempre foi condicional e houve alteração no cenário em relação ao que se esperava”, disse o documento.

Esses membros, segundo a ata, ressaltaram que muito mais importante do que o eventual custo reputacional de não seguir o ‘guidance’, mesmo que condicional, é o risco de perda de credibilidade sobre o compromisso com o combate à inflação e com a ancoragem das expectativas.

O grupo minoritário, por sua vez, propôs debate sobre o custo de não seguir a indicação dada na reunião anterior, questionando se o cenário mudou a ponto de valer a mudança do ‘guidance’, “o que poderia levar a uma redução do poder das comunicações formais do Comitê”.

“Para tais membros, julgou-se apropriado, tal como em reuniões anteriores, seguir o ‘guidance’, mas reafirmando o firme compromisso com a meta e com a requerida taxa de juros terminal para que o objetivo precípuo do Comitê de convergência da inflação para a meta seja alcançado”, disse.

O Copom reiterou que, para todos os membros, a extensão e a adequação de ajustes futuros na taxa de juros serão ditadas pelo “firme compromisso” de convergência da inflação à meta.

Já sobre a tragédia provocada pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul, o BC apontou que além dos impactos humanitários, “também terá desdobramentos econômicos e o Comitê seguirá acompanhando”.

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