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Economia

Dólar a R$ 5,50? Até onde a moeda pode chegar

Em valores de hoje, o dólar chegou a R$ 6,39 na pandemia; e a R$ 8,00 no pior momento da história do real

Dos 11% que o dólar subiu em um ano, 4,85% foram no último mês; e 2,85% desde quinta (6), quando a moeda americana saiu de R$ 5,25 para R$ 5,40 – o fechamento de quarta-feira (12), maior cotação desde janeiro de 2023. Cortesia, principalmente, de Brasília. 

O desmoronamento da confiança na parte fiscal, no projeto do governo como um todo, enfraquece a moeda brasileira. Mais sobre o assunto adiante. O ponto é que ele levanta uma questão: até onde o dólar pode chegar? Para entender isso, temos de olhar para a história recente. 

O pior momento do câmbio na história do real foi em outubro de 2002 – logo após a eleição de Lula para seu primeiro mandato. Em valores nominais, o dólar foi R$ 3,85. Mas valores nominais, que não levam em conta a inflação, não dizem nada. 

Para ter uma medida, é preciso colocar ali a inflação do real no período e descontar a do dólar. Fazendo essa atualização, temos que o dólar chegou a exatamente R$ 8,00 de hoje naquele momento. Trata-se de um termômetro para entender o que pode acontecer com o dólar numa situação de desconfiança extrema. 

Outro caso fora da curva, mais recente, foi o da pandemia. Em junho de 2020, o dólar bateu em R$ 6,39 de hoje (bem mais do que R$ 5,82 em valores da época dão a entender, para quem olha daqui de 2024).     

O outro lado. No início do real, quando o câmbio era controlado com mão de ferro pelo BC, a moeda americana caiu a R$ 0,83 (fevereiro de 1995), menor valor nominal da história da nossa moeda (em dados para final de mês, que estamos usando aqui). Dá R$ 2,68 em dinheiro atual.

Curiosidade: essa não foi a  menor cotação da história em termos reais, que levam em conta a inflação. Essa veio em agosto de 2011, quando o nominal estava em R$ 1,57. Como faz bem menos tempo, o valor real não muda tanto quanto aquele de 1995. Dá R$ 2,33 de hoje.

De volta para o futuro agora.

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A ruína do “modelo Brasil”

Nas palavras de um trader de mercado, a alta do dólar significa que “o investidor desistiu da aposta no ‘modelo Brasil'”.

“Modelo Brasil” é algo que dá para definir a partir de uma fala do empresário Rubens Ometto (Raízen/Cosan), no último sábado (8): aumento de carga tributária para viabilizar a alta de gastos do governo. E a resposta a esse modelo pode ser não apenas o fim dos cortes na Selic, mas o aumento de juros.

O mal-estar com a política fiscal vem crescendo desde a mudança da meta para 2025 e 2026, anunciada em abril. 

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E cresceu muito  ao longo da semana passada. Pesou negativamente o reajuste do salário mínimo – ao qual várias outras despesas públicas são vinculadas. E a decisão do governo de editar a Medida Provisória que  restringe o ressarcimento de créditos presumidos de PIS e Cofins – ela tem forte impacto sobre a vida de grandes empresas, especialmente sobre exportadoras. A medida tem como objetivo compensar a prorrogação da desoneração da folha de pagamento para 17 setores.

E o clima fechou de vez na sexta-feira passada, quando o ministro Fernando Haddad se reuniu com representantes de gestoras de investimento e de instituições financeiras em evento promovido pelo Santander. No encontro,  Haddad disse que, sim, concorda com as preocupações do mercado em relação ao crescimento de gastos. Mas também deixou claro que a Fazenda não tem plenos poderes para decidir: que no fim das contas, quem decide a política fiscal é Lula.

E a cereja do bolo veio no fim da tarde de terça (11), quando o Congresso barrou a medida provisório que restringe a compensação de créditos tributários e o Ministério da Fazenda deixou claro que não tem um plano B para compensar a alta nos gastos públicos.

Como diria Professor Raimundo: “E o real, ó”.

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