A apuração é conduzida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que avalia se fabricantes de fertilizantes atuaram de forma coordenada para elevar preços – uma suspeita que ganha força em um mercado dominado por poucos grandes produtores.
A ofensiva ocorre em meio a uma nova disparada nos preços. A ureia negociada em Nova Orleans subiu quase 50% desde o início do conflito no Oriente Médio, atingindo o maior nível desde 2022. Já o fosfato diamônico acumula alta de cerca de 19% no cinturão agrícola americano, com o maior avanço semanal em mais de dois anos.
A pressão vem num momento sensível para o setor. Os fertilizantes nunca voltaram totalmente aos níveis pré-crise após a invasão da Ucrânia pela Rússia, e o novo conflito envolvendo o Irã voltou a apertar a oferta global, elevando custos em toda a cadeia.
Diante desse cenário, autoridades americanas querem usar dados de campo para embasar a investigação. A ideia é que agricultores forneçam informações de forma confidencial para ajudar a identificar possíveis distorções de mercado.
O tema também ganhou peso político. O presidente Donald Trump afirmou que está monitorando os preços de fertilizantes e criticou o que chamou de práticas abusivas no setor. Ele também pressionou fabricantes de máquinas agrícolas a reduzirem custos.
A concentração da indústria está no centro do debate. Poucas empresas concentram grande parte da oferta global de nutrientes agrícolas, o que levanta dúvidas recorrentes sobre poder de precificação – especialmente em momentos de choque de oferta.
O movimento recente de empresas também entra na equação. A Mosaic Company anunciou a paralisação de duas fábricas no Brasil, decisão que, segundo autoridades americanas, tende a pressionar ainda mais os preços.