O Federal Reserve (Fed) decidiu interromper a sequência de cortes na taxa de juros, mantendo a faixa de 3,5% a 3,75%. A medida encerra três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual e busca equilibrar a inflação, que permanece acima da meta, e o mercado de trabalho, que mostra sinais de estabilização.
O comunicado pós-reunião também removeu uma cláusula anterior que indicava maior risco de enfraquecimento do emprego em relação à inflação, sugerindo que o Fed adota uma postura mais paciente e equilibrada.
A autoridade monetária não deu indicações explícitas sobre a próxima mudança na taxa, e o mercado projeta que ajustes só ocorram a partir de junho de 2026. Analistas destacam que o banco central americano navega por um período de incertezas políticas, com os bodes da sala que Trump coloca mês sim, mês também, mais a transição de liderança: Jerome Powell, o Galípolo deles, sai da presidência do Fed em maio.
Selic
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter nesta quarta a Selic em 15%, seguindo no patamar mais alto em quase duas décadas. Apesar da manutenção, o Banco Central deve promover ajustes no comunicado que abram a possibilidade deinício do ciclo de cortes em março.
Segundo dados da Bloomberg, das 35 estimativas de mercado, 32 preveem manutenção da Selic, enquanto três instituições projetam corte já nesta reunião. Operadores de juros futuros estimam uma redução de 0,25 ponto percentual em março, com possibilidade de aceleração para 0,5 ponto nas reuniões seguintes.
Entre os fatores que sustentam o início do corte está o fortalecimento do real, que atingiu R$ 5,20, impulsionado pelo dólar mais fraco globalmente. Quando a moeda americana aponta para baixo, a inflação desacelera. E com um IPCA mais brando abrem-se as portas para cortes nos juros – pois juro de Banco Central existe para controlar a inflação.