O prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física 2022 segue até o dia 31 de maio. Junto dele vem a preocupação com a temida malha fina da Receita Federal. Só no ano passado, quase 870 mil contribuintes foram pegos pelo pente fino feito pelo Leão.

A contadora Andrezza Rodrigues explica que informações financeiras oficiais são rastreadas pela Receita Federal e que a malha fina nada mais é do que inconsistências, distorções, incompatibilidade e erros que são encontrados durante o confronto destas informações com as fornecidas por outras fontes. O objetivo com este cruzamento de dados é evitar sonegações.

Rodrigues diz que a  declaração do Imposto de Renda é uma autodeclaração. “Você é detentor das suas informações financeiras, elas são de sua propriedade. Porém, a Receita tem como rastrear elas de outras formas. A malha fina é cruzamento da sua autodeclaração com as informações que a Receita já tem sobre você. É um confronto, uma  dupla checagem. É feito este cruzamento de informações para saber se você está declarando tudo e se as outras fontes também estão trazendo todas as informações”, esclarece.

A contadora lembra ainda que não é só por que o contribuinte deixou de inserir alguma informação na sua declaração que ele caíra na malha fina. Ela ressalta que preenchê-la de forma errada, ou até mesmo por algum erro de digitação, o declarante pode cair na mira do Leão e ter sua declaração retida.

Acompanhe de perto

Antes de fazer o envio da declaração para a Receita Federal, o próprio programa para preenchimento e transmissão do documento permite que seja feita uma checagem de forma geral, dos campos principais, apontando se as informações foram inseridas ou não.

A contadora lembra, no entanto, que essa verificação não é capaz de apontar  se nomes, CPF, CNPJ e os valores estão errados ou não. Essa checagem automática do sistema apenas indica as informações básicas, como, por exemplo, se os campos dos dados pessoais e cadastrais tenham ficado sem preenchimento.

Além disso, após a transmissão da declaração, é possível o contribuinte acompanhar o status dela no portal e-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte), da Receita Federal.

Por lá, o declarante fica sabendo se houve divergência de informações, erros ou inconsistências.

“O ideal é acompanhar a aprovação final da declaração, pois a Receita tem um tempo para fazer o processamento e cruzamento das informações dadas pelos contribuintes”, orienta Rodrigues.

Outra dica da contadora é a pessoa se atentar para inserir seu e-mail de forma correta na declaração, pois é por meio dele que a Receita Federal se comunica com o contribuinte, como para comunicar que o declarante está na malha fina.

Fique de olho para evitar deslizes

Rodrigues recomenda fazer a divisão das movimentações financeiras em três blocos: valores recebidos de pessoas física e jurídica, onde fez gastos e onde fez despesas que possam ser reembolsadas. A partir daí, ela orienta que o próximo passo é levantar e buscar os comprovantes.

Com eles em mãos, se atente aos principais pontos para evitar cair na malha fina:

Se organize e fique prevenido

Para a contadora, o principal motivo que leva as pessoas a caírem na malha filha é o de elas não terem visão de suas movimentações financeiras, ou seja, não ter um controle financeiro. “Se o contribuinte faz um controle, neste momento único do ano, o de fazer a declaração, ele não vai precisar puxar as informações na memória. Quanto maior for o controle, mais a pessoa vai conseguir rastrear as informações, sabendo onde gastou, e quanto gastou, e não vai ter problema na hora de fazer a declaração”, avalia.

Para não cair na malha fina, além de sugerir um controle financeiro mensal, Andrezza recomenda também que a pessoa concentre as contas em um só cartão de crédito, por exemplo, para ter uma visão unificada dos gastos.

Outra sugestão dela, é reduzir a quantidade de contas em bancos, pois colabora no rastreio das informações que são necessárias para fazer a declaração, como encontrar transferências para médicos e instituições de educação, por exemplo.

Consequências

Se cair na malha fina, o contribuinte deixa de receber sua restituição, se houver, enquanto as irregularidades não forem resolvidas. Dessa forma, ela pode ser paga com atraso, além de consequências como possíveis multas e perda de tempo.

Caso o contribuinte tenha sua declaração retida pela Receita Federal por causa da malha fina, é preciso fazer uma declaração retificadora corrigindo as inconsistências apontadas. O quanto antes ela for feita, as chances são maiores da restituição ser recebida no prazo oficial.

O contribuinte não deve ficar preocupado se cair na malha fina, caso tenha todos os comprovantes das informações que foram prestadas. Já se as pendências não forem esclarecidas, o declarante  fica com restrição no CPF e não consegue fazer nenhuma solicitação pública, por exemplo, como renovar título de eleitor, tirar passaporte e prestar concurso público, entre outras consequências.

Fique por dentro

De acordo com a Receita Federal, neste ano, são obrigados a fazer o envio da declaração do Imposto de Renda:

O não envio da declaração dentro do prazo acarreta multa por atraso. 

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