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Economia

Juro do rotativo do cartão cai para 309,9% ao ano em setembro

Taxa média no crédito livre foi reduzida para 25,7% ao ano em setembro; cheque especial ficou mais caro.

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Estadão Conteúdo
cartão de crédito

Em meio aos efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia, a taxa média de juros no crédito livre caiu de 26,5% ao ano em agosto para 25,7% ao ano em setembro, informou nesta segunda-feira (26) o Banco Central. Em setembro de 2019, essa taxa estava em 36,1% ao ano.

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Os dados apresentados pelo BC são influenciados pelos efeitos da pandemia, que colocou em isolamento social boa parte da população e reduziu a atividade das empresas – em especial, nos meses de março e abril. Em meio à carência de recursos, famílias e empresas aumentaram a demanda por algumas linhas de crédito nos bancos.

Para as pessoas físicas, a taxa média de juros no crédito livre passou de 39,0% para 38,0% ao ano de agosto para setembro, enquanto para as pessoas jurídicas foi de 12,1% para 11,4% ao ano.

Cheque especial

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa passou de 112,6% ao ano para 114,2% ao ano de agosto para setembro. No crédito pessoal, a taxa passou de 30,0% para 29,5% ao ano.

Desde julho de 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. Desde 6 de janeiro de 2020, o BC aplica uma limitação dos juros do cheque especial, em 8% ao ano (151,82% ao ano).

Além da limitação do juro, os dados refletem uma revisão realizada na série histórica do BC. De acordo com a autarquia, os números passaram a considerar o fato de alguns bancos cobrarem juro no cheque especial apenas após dez dias de atraso no pagamento da fatura. Antes, era considerado todo o período de atraso. Esta mudança fez com que o nível do juro no cheque especial, na nova série histórica, fosse menor em anos anteriores.

Os dados divulgados nesta segunda pelo Banco Central mostraram ainda que, para aquisição de veículos, os juros foram de 18,9% ao ano em agosto para 18,6% em setembro.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), foi de 18,6% ao ano em agosto para 18,1% ao ano em setembro. Em setembro de 2019, estava em 24,0%.

Rotativo do cartão de crédito

Com as famílias em dificuldades para fechar as contas, o juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito caiu 0,3 ponto porcentual de agosto para setembro, segundo o Banco Central. A taxa passou de 310,2% para 309,9% ao ano.

Com a carência de recursos, as famílias aumentaram a demanda por algumas linhas de crédito nos bancos. O rotativo do cartão, juntamente com o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades.

O juro do rotativo é uma das taxas mais elevadas entre as avaliadas pelo BC. Dentro desta rubrica, a taxa da modalidade rotativo regular passou de 270,3% para 268,6% ao ano de agosto para setembro. Neste caso, são consideradas as operações com cartão rotativo em que houve o pagamento mínimo da fatura.

Já a taxa de juros da modalidade rotativo não regular passou de 335,2% para 336,8% ao ano. O rotativo não regular inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado. No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 137,8% para 142,1% ao ano.

Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 65,1% para 62,3%.

Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos.

A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado. Atualmente, porém, o risco de inadimplência aumentou, justamente porque muitas famílias estão enfrentando redução de renda, na esteira da pandemia.

Spread em queda

Em meio à pandemia do novo coronavírus, o spread em operações de crédito apresentou redução. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o spread bancário médio no crédito livre passou de 22,1 pontos porcentuais em agosto para 21,1 pontos porcentuais em setembro.

O spread médio da pessoa física no crédito livre foi de 34,2 para 32,8 pontos porcentuais no período. Para pessoa jurídica, o spread médio passou de 8,3 para 7,4 pontos porcentuais.

O spread é calculado com base na diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e o que é efetivamente cobrado dos clientes finais (famílias e empresas) em operações de crédito.

O spread médio do crédito direcionado foi de 4,4 para 4,2 pontos porcentuais na passagem de agosto para setembro. Já o spread médio no crédito total (livre e direcionado) foi de 14,9 para 14,3 pontos porcentuais no período.

Endividamento

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro ficou em 47,5% em julho, ante 46,7% em junho, informou o Banco Central. Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 27,6% em julho, ante 27,3% em junho.

O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses. Além disso, incorpora os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE.

Em função da metodologia utilizada, os números de endividamento sempre são divulgados com apenas um mês de defasagem. Em setembro, no entanto, o BC havia adiado a divulgação de dados referentes ao endividamento e ao comprometimento de renda das famílias brasileiras, em função de alterações de datas promovidas pelo IBGE. Agora, o BC atualiza os números, com referência em julho.

Segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 20,6% em julho, ante 20,7% em junho. Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda ficou em 18,0% em julho, ante 18,2% em junho.

Inadimplência

Apesar das dificuldades de famílias e empresas para fechar as contas, em meio à pandemia do novo coronavírus, a taxa de inadimplência nas operações de crédito livre com os bancos passou de 3,3% para 3,1% de agosto para setembro, informou o Banco Central.

Para as pessoas físicas, a taxa de inadimplência foi de 4,8% para 4,6% no período. No caso das empresas, a taxa passou de 1,6% para 1,5%.

A inadimplência do crédito direcionado (recursos da poupança e do BNDES) caiu de 1,7% para 1,4% na passagem de agosto para setembro. No crédito direcionado para empresas, a inadimplência passou de 2,2% para 1,5%.

Já o dado que considera o crédito livre mais o direcionado mostra que a taxa de inadimplência foi de 2,6% para 2,4%.

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